Fact-check. Balanço feito por Montenegro falha nos impostos
- 02/04/2026 15:43
- Redação
A grande maioria são dados estatísticos, muitos amplamente divulgados pelo executivo, que por vezes cita as fontes originais, como a OCDE, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou o Orçamento do Estado.
Luís Montenegro diz que “em apenas dois anos, reduzimos o IRS quatro vezes, entregando mais de dois mil milhões de euros aos portugueses”. Sim, é verdade, o imposto sobre os rendimentos desceu quatro vezes, nos dois Orçamentos do Estado apresentados pelos governos da AD e a meio do ano, em cortes intercalares para aproximar o imposto retido mensalmente pelo Estado do imposto devido.
No entanto, dias antes de Montenegro escrever que já entregou “mais de dois mil milhões aos portugueses” em IRS, o Ministro das Finanças esteve na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, onde prometeu na apresentação feita aos deputados, que “até ao final de 2026 a redução de IRS será de 2 mil milhões de euros.
Ou seja, ou o primeiro-ministro antecipou a meta em 9 meses e o ministro das Finanças anda com as contas desatualizadas, ou são as contas de Luís Montenegro que não batem certo.
Logo no início do artigo, Montenegro acusa os governos anteriores, do PS, de terem mantido “os impostos em máximos históricos”. Confirma-se que os dois governos seguintes, da AD, reduziram o IRS e o IRC. No entanto, a carga fiscal continuou a subir e a registar novos recordes, porque a descida fiscal não foi proporcional ao crescimento da economia, o que permitiu ao governo aumentar a receita fiscal arrecadada e as contribuições à Segurança Social.