Pensar que Ormuz se vai abrir naturalmente é “um conto de fadas”, diz Poejo Torres

Pensar que Ormuz se vai abrir naturalmente é “um conto de fadas”, diz Poejo Torres

  • 02/04/2026 05:00
  • Redação

O conflito Médio Oriente poderá vir a “correr muito mal, especialmente, aos países europeus”.

“Ouvir Donald Trump a dizer que provavelmente vai deixar a situação como está e o estreito [ de Ormuz] vai-se abrir naturalmente é um conto de fadas”, avisa o analista lembrando os custos para os países europeus que estão a “sentir-se obrigados a dirigirem-se para região”, declara.

“Com certeza que não o queriam fazer, sentem-se arrastados para o conflito”, acrescenta Poejo Torres.

E ao contrário do anunciado pelo presidente dos EUA de que as “hostilidades terminarão dentro de duas a três semanas”, Manuel Poejo Torres avisa que este é um conflito que “não acabará tão depressa”.

Mesmo que termine a operação militar, isso “não quer dizer que a guerra de interesses com o Irão, por via de expressão económica, militar, diplomática e política acaba ao mesmo tempo que a operação Epic Fury”, sublinha o especialista em assuntos internacionais.

Sobre uma eventual saída norte americana na NATO, o comentador da RR alerta que tal seria um “ colapso”. Representaria o “o divórcio entre as duas margens do atlântico” que obrigaria a uma “reconfirmação terrível” do sistema internacional como o conhecemos hoje.

Um cenário difícil de acontecer, reconhece Poejo Torres, que seria, diz, uma conquista para Putin. Se tal acontecesse “num plano hipotético seria a melhor coisa para as ambições de Vladimir Putin cujo objetivo é dividir para conquistar”, lembra o especialista em assuntos internacionais para quem os EUA na realidade não querem abandonar aliança, mas alterar a sua posição .

“Se os Estados Unidos, e Marco Rubio também já o disse, vão pensar a sua posição na NATO, isso não quer dizer que vão acabar com a aliança« ou que se vão divorciar do compromisso de segurança euro-atlântica”, esclarece.

“Pode querer dizer que querem introduzir algumas cláusulas na carta da organização que modifiquem a posição dos Estados Unidos em função da ativação do artigo quinto no futuro”, antecipa.

A possibilidade de os EUA saírem da NATO não é nova. Ressurgiu depois de países membros da aliança militar terem recusado participar na operação conjunta com Israel contra o Irão. Donald Trump chegou mesmo a comparar, esta quarta-feira, a aliança a um “tigre de papel”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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