Organização pede libertação de jornalista dos EUA sequestrada em Bagdade
- 01/04/2026 18:16
- Redação
Num comunicado divulgado a partir do Curdistão iraquiano, a diretora regional do CPJ, Sara Qudah, afirmou que o sequestro da jornalista 'freelancer' em plena luz do dia "reflete uma alarmante falha na segurança dos jornalistas no Iraque, que evidencia o crescente risco de reportar a partir do Médio Oriente".
Nesse sentido, apelou às autoridades iraquianas para que atuem "com rapidez para assegurar a libertação [da jornalista], sã e salva e responsabilizar os culpados", garantindo, ao mesmo tempo, "que a sombria era de sequestros e assassínios de jornalistas não regressa ao Iraque".
Imagens de câmaras de segurança mostram um carro a aproximar-se enquanto Kittleson aguardava à beira da estrada no centro de Bagdad e dois homens a forçá-la a entrar no banco traseiro do veículo.
Até ao momento, o Iraque não adiantou a identificação do único detido suspeito de ter participado no sequestro e nenhum grupo reivindicou a autoria do crime.
Três fontes iraquianas com conhecimento do caso disseram ao CPJ, sob anonimato por receio de represálias, que o detido, que conduzia o veículo, era membro da 45.ª Brigada das Forças de Mobilização Popular (FMP), apoiadas pelo Irão.
A milícia pró-iraniana Kataib Hezbollah integra as FMP, uma estrutura que opera sob o Governo iraquiano, mas que mantém fortes ligações ao Irão e é considerada uma das milícias mais poderosas do Iraque.
Kittleson, que vive em Itália, é uma experiente jornalista independente que trabalhou em várias zonas de conflito, como o Afeganistão e a Síria, e colaborou com meios como a agência de notícias italiana ANSA e o jornal digital norte-americano Al Monitor, que exigiu a libertação "segura e imediata" da 'freelancer'.
O CPJ adiantou que Kittleson não se encontrava em missão para o órgão de comunicação social norte-americano em Bagdad.
Um amigo de Kittleson afirmou ao CPJ que a jornalista estava alojada sozinha num modesto hotel na zona de Saadoun e que se encontraram cerca de uma hora antes do sequestro, a 31 de março.
"Estávamos sentados juntos quando a Embaixada dos Estados Unidos lhe telefonou e a alertou para ameaças reais por parte de milícias iraquianas", disse o amigo.
Antes do sequestro de Kittleson, dois jornalistas estrangeiros e sete iraquianos estavam desaparecidos, todos confirmados ou suspeitos de terem sido sequestrados.
O último jornalista norte-americano sequestrado foi Steven Sotloff, capturado na Síria em 2013 e assassinado em 2014, segundo o CPJ.
Em 2023, a investigadora russo-israelita Elizabeth Tsurkov foi sequestrada num café de Bagdad e mantida em cativeiro pela Kataib Hezbollah durante 903 dias, antes de ser libertada depois de um acordo negociado pelos Estados Unidos.
O sequestro de Kittleson ocorreu no contexto da atual guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, na qual várias milícias pró-iranianas integradas nas Forças de Mobilização Popular (FMP), como a Kataib Hezbollah, têm atacado com drones e foguetes posições militares e diplomáticas norte-americanas no Iraque, enquanto Washington respondeu com vagas de bombardeamentos contra posições da organização armada.