Patriarca de Lisboa pede "coerência" e "disponibilidade" aos padres
- 02/04/2026 06:10
- Redação
Diante de oito bispos, 330 de padres, 50 diáconos e 102 acólitos, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, lembrou, esta quinta-feira, na Missa Crismal, na Sé de Lisboa, que a grandeza do ministério sacerdotal “exige coerência”. Na homilia da celebração em que o clero renova as suas promessas sacerdotais, o bispo afirmou que “quando um sacerdote não vive aquilo que celebra, fere o coração da Igreja”.
“Quando se fecha sobre si mesmo, quando se torna autorreferencial, quando perde o sentido da missão, obscurece o rosto de Cristo que é chamado a revelar (…) e fere a unidade da Igreja”, disse o Patriarca, acrescentando que a “fidelidade sacerdotal não é apenas uma virtude pessoal: é um serviço essencial à unidade”.
D. Rui Valério sublinhou, ainda, que “num tempo de fragmentação, de polarização, e de divisão”, os sacerdotes são “chamados a ser ponte, nunca muro”, “comunhão, nunca divisão” e destacou “o destino do envio” do clero: “Os pobres, os cativos, os corações atribulados, os oprimidos." “Somos sinais de um amor que procura todos, que não exclui ninguém, que quer conduzir cada homem e cada mulher à comunhão com Deus”, sublinhou.
Numa celebração que, além do clero, reuniu dezenas de fiéis na Sé de Lisboa, D. Rui Valério frisou, ainda, que “ser sacerdote do quotidiano é viver com os pés na terra e o coração no céu”. “Cada encontro com um doente é encontro com o Crucificado”, exemplificou. “Do coração do sacerdote brota disponibilidade, serviço, doação. Disponibilidade para celebrar, para perdoar, para acompanhar, para visitar, para servir. Mas, antes de tudo, disponibilidade para ser: ser de Deus, ser da Igreja, ser presença de Cristo no mundo.” E concluiu: “Que o povo de Deus encontre em nós não técnicos do sagrado, mas homens configurados a Cristo, apaixonados pelo Evangelho e fiéis à Igreja. Que se diga de nós: ali vai um padre: homens de Deus, homem da Igreja, homem para os outros."
O Patriarca disse ainda que muitos padres têm hoje um “ritmo de vida alucinante". “É necessário ser combatente para permitir-se ter, às vezes, horas de descanso, horas de silêncio, horas para a contemplação, horas para a oração, porque o ritmo e a quantidade de trabalho são de tal ordem que o sacerdote, se não trava esta luta, às duas por três, está completamente absorvido no fazer. E ser padre, antes de uma questão de fazer, é uma questão de ser”.