Humanos voltam à órbita da Lua 50 anos depois (mas já a pensar em Marte)

Humanos voltam à órbita da Lua 50 anos depois (mas já a pensar em Marte)

  • 01/04/2026 03:57
  • Redação

54 anos anos depois das missões Apollo, a NASA lança, na noite desta quarta-feira, uma nova viagem tripulada em torno da Lua.

A viagem vai durar dez dias e o lançamento está marcado para as 18h24, hora local (23h24 na hora portuguesa). De acordo com a agência espacial norte-americana, a bordo vão seguir quatro astronautas, naquela que é a primeira missão tripulada da Artemis (a missão Artemis I, em 2022, não levava ninguém). O regresso de humanos à Lua, no entanto, terá de ficar para outra ocasião: a NASA deixa esse objetivo para uma hipotética Artemis III ou até mesmo IV e pretende, até lá, testar tudo e mais alguma coisa.

“Não podemos ir para Marte às 'escuras'. É preciso testar toda a tecnologia, todos os procedimentos e engenharia de sistemas num caso próximo, que é a Lua”, desenvolve.

A Artemis II é a segunda fase da missão Artemis, que, em 2022, já realizou “uma primeira missão robótica” em torno da Lua. Desta vez, a cápsula levará a bordo astronautas, numa uma espécie de ensaio para outras aspirações na corrida pelo espaço. Ou seja, e convém recordar, os astronautas não vão "alunar", ou seja, tocar na superfície da Lua.

Esta trajetória está pensada para testar sistemas, operações e comunicações. Paulo Garcia adianta que a ideia é "estabelecer uma base" para que, de futuro, haja maior "capacidade para fazer análises e construir ferramentas" para a sua criação e manutenção, que terão de ser feitas com impressoras 3D.

É preciso, diz o docente da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, garantir que "a máquina funciona" na Lua para preparar a chegada a Marte, apontada pela NASA para a próxima década.

“Uma ida à Lua é um bocadinho como um fim de semana prolongado. São três dias, enquanto que uma ida a Marte são seis a nove meses”, exemplifica.

Em termos práticos, vão ser medidas coisas como "os níveis de radiação no interior e no exterior da cápsula" que transporta os astronautas para ajudar a caracterizar o ambiente do espaço e, no limite, avaliar a viabilidade de missões futuras.

Os astronautas serão as “primeiras pessoas em mais de 50 anos a pôr os olhos no lado oculto da Lua”, salienta a instituição. A tripulação vai, por isso, aproveitar para recolher fotografias, áudios e outros tipos de registos relevantes para aprofundar o conhecimento sobre o satélite natural da Terra.

“Passos decisivos”, diz a NASA, para “preparar o próximo grande passo para a humanidade: missões humanas a Marte”.

A missão vai assentar, de acordo com a NASA, em dois sistemas: o foguetão SLS e a nave espacial Orion. O SLS, sigla para Space Launch System, é descrito pela agência espacial como um “foguete de carga super pesada” capaz de enviar, num só lançamento, a Orion, quatro astronautas e carga de grande dimensão diretamente para a Lua em futuras missões.

Já a Orion tem uma cápsula pensada para levar a tripulação da Terra até ao espaço e voltar ao nosso planeta em segurança. A nave inclui o módulo onde seguem os astronautas, um módulo de serviço responsável pela propulsão e pelas manobras ao longo do voo e, no topo, um sistema de escape preparado para afastar rapidamente a tripulação do foguetão em caso de emergência durante a subida.

A expectativa é grande mas os elementos da Artemis II estão concentrados: esta não é a primeira vez que a missão é abortada no último minuto e tal cenário pode voltar a acontecer esta quarta-feira.

  • Fonte: Rádio Renascença
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