Preços dos medicamentos vão mesmo aumentar?

  • 06/04/2026 03:15
  • Redação

Pode ser inevitável um aumento do preço dos medicamentos. Cenário admitido pela associação que representa a indústria farmacêutica.

A pressão dos custos e também o contexto internacional vão obrigar a ajustar preços.

Numa entrevista ao Jornal de Negócios e à rádio pública, João Almeida Lopes diz mesmo ser inevitável esse cenário de uma subida do preço dos medicamentos. Porque o setor farmacêutico já está sob forte pressão e os preços atuais não são sustentáveis por muito mais tempo.

Não há um calendário definido. Vai depender de uma série de fatores. Desde logo, o aumento dos custos de produção: energia mais cara, matérias-primas com preços inflacionados e cadeias logísticas mais dispendiosas. E isto são efeitos da guerra e do aumento do preço dos combustíveis.

Mas não é só. O mercado dos medicamentos também não é imune a tensões comerciais e a mudanças de regras e de quadros de regulação, o que agrava o custo final dos produtos.

Ou seja, produzir medicamentos tornou-se mais caro. E, portanto, mais cedo, ou mais tarde, isso vai sentir-se no custo para os consumidores. Embora uma parte desse aumento seja absorvida pelo SNS. Mas, inevitavelmente, a fatura da farmácia vai pesar mais nas famílias.

Pouca. Portugal integra um sistema europeu de controlo de preços que tem mantido os medicamentos relativamente acessíveis. Mas isso pode tornar-se difícil de manter, se os custos continuarem a subir.

A indústria farmacêutica alerta que manter os preços baixos face a outros mercados, como o norte-americano, pode fazer com que Portugal perca competitividade na atração de novos medicamentos.

Quando os preços dos medicamentos ficam demasiado abaixo dos praticados noutros mercados, as farmacêuticas dão prioridade aos países onde conseguem recuperar mais depressa os custos de produção e de inovação.

Portanto, na prática, isto significa que medicamentos novos - sobretudo os mais inovadores e mais dispendiosos - podem demorar mais tempo a chegar ao mercado português.

Por outro lado, há o risco da exportação paralela. Ou seja, medicamentos mais baratos em Portugal serem revendidos noutros países a preços mais altos, o que pode criar ruturas de stock internas.

Medicamentos de preço muito baixo. Estamos a falar de analgésicos, anti‑inflamatórios, xaropes e genéricos de uso massificado.

Também os medicamentos dependentes de matérias‑primas importadas são mais suscetíveis de sofrer consequências.

  • Fonte: Rádio Renascença
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