EUA e Irão estudam cessar-fogo sob pressão de ultimato de Trump
- 06/04/2026 09:45
- Redação
Segundo fontes citadas pela agência Reuters, a proposta — mediada pelo Paquistão — prevê um cessar-fogo imediato, seguido de negociações para um acordo de paz mais abrangente, a concluir num prazo de 15 a 20 dias.
O plano terá resultado de contactos intensos durante a noite entre responsáveis norte-americanos, iranianos e paquistaneses. O chefe do exército do Paquistão, Asim Munir, terá estado em contacto com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi.
Apesar disso, Teerão mantém uma posição firme. O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano confirmou que apresentou as suas condições através de intermediários, sublinhando que as negociações “não são compatíveis com ultimatos ou ameaças”.
O porta-voz Esmaeil Baghaei afirmou que as exigências iranianas refletem a determinação do país em defender os seus interesses, rejeitando propostas anteriores dos Estados Unidos por as considerar excessivas.
Um dos principais entraves ao acordo é o Estreito de Ormuz. O Irão recusa reabrir esta rota estratégica — por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — como condição para um cessar-fogo temporário, rejeitando também prazos impostos por Washington.
Do lado norte-americano, a posição também não é totalmente consensual. Um responsável da Casa Branca indicou que a proposta de cessar-fogo é apenas “uma entre várias ideias” e que Donald Trump ainda não deu luz verde ao plano, mantendo em curso a operação militar designada “Fúria Épica”.
O presidente norte-americano ameaçou mesmo lançar novos ataques contra infraestruturas energéticas e de transporte iranianas caso não seja alcançado um acordo até ao final de terça-feira.
Apesar das negociações, os combates prosseguem. Foram registados novos ataques aéreos na região, numa guerra que já provocou milhares de mortos e forte instabilidade nos mercados energéticos.
Israel anunciou ter atingido o complexo petroquímico de South Pars, no sul do Irão, enquanto o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, prometeu “destruir a infraestrutura iraniana e eliminar os seus líderes um a um”.
De acordo com a Reuters, a Agência Internacional de Energia Atómica confirmou também ataques nas imediações da central nuclear de Bushehr, embora sem danos diretos na instalação.
Entretanto, o Irão continua a responder militarmente, incluindo ataques a infraestruturas energéticas e a alvos associados a Israel na região do Golfo, demonstrando capacidade de reação apesar da pressão internacional.
Em comunicado divulgado nas redes sociais e citado pela imprensa internacional, a Guarda Revolucionária refere que “o major-general Majid Khademi (…) foi martirizado num ataque terrorista criminoso”, atribuindo a responsabilidade ao que descreve como “inimigo americano sionista”.
Segundo essas fontes, terá sido atingido o navio de assalto anfíbio norte-americano LHA-7, alegadamente forçado a recuar para sul, em direção ao Oceano Índico. Não foram divulgados nem o local exato nem o momento em que o alegado ataque terá ocorrido.
Até ao momento, não há qualquer confirmação por parte dos Estados Unidos, que ainda não reagiram às alegações iranianas.
A Guarda Revolucionária indica ainda que teve como alvo um navio porta-contentores alegadamente ligado a Israel, identificado como “SDN7”, sem, no entanto, revelar a sua localização.
Segundo organizações de direitos humanos, mais de 3.500 pessoas terão morrido no Irão desde o início do conflito, incluindo centenas de crianças.
Do lado israelita, pelo menos 23 civis morreram em ataques com mísseis, enquanto o conflito se alargou também ao Líbano, com centenas de vítimas adicionais.
Perante este cenário, cresce a pressão internacional para um acordo que ponha fim à escalada — mas as divergências entre as partes continuam a dificultar uma solução rápida.