Mau tempo: Autarca de Proença-a-Nova denuncia "muita fraude" nos pedidos de apoio

  • 06/04/2026 17:21
  • Redação

“Há mesmo situações relatadas que não existem, que são fotografias e isto também nos suscita alguma preocupação”, assume o autarca.

Nesta entrevista, João Lobo diz-se ainda preocupado com a falta de meios no município para limpar a floresta, após o temporal de janeiro. “Não há meios, os meios estão todos cativos”, diz o autarca.

Está estabilizado dentro dessa ordem de grandeza, naquilo que foi uma primeira avaliação, é verdade, mas depois deste tempo e dos danos provocados, quer no património público municipal, quer também no património privado e na floresta, tem essa ordem de grandeza, 20 e poucos milhões de euros. Passados estes dois meses e uma semana, mais ou menos, há, de facto, muito trabalho que já foi feito, outro que vai demorar muito tempo a fazer e esse que demora muito tempo a fazer é o da floresta e é o que nos preocupa mais neste momento, evidentemente.

Exatamente, esperamos que não haja incêndios, mas o nosso clima é propício a isso, portanto, vamos ter de certeza absoluta eventos com incêndios florestais. A circunstância é mitigar aquilo que poderá ser o efeito nefasto que temos na rede viária florestal que está, grande parte dela, inacessível e também todo o património lenhoso que está derrubado. É preciso tirá-lo e dar uma contrapartida aos proprietários. Somos todos responsáveis, porque a madeira é dos proprietários, quem a retira são os madeireiros da indústria transformadora, quem tem de criar condições para que isso também se faça são os municípios e as juntas de freguesia, mas, sem dúvida, o Estado central, com aquilo que são os apoios e os recursos para que isso se promova.

Esta semana, os territórios impactados pela tempestade foram referenciados, há polígonos já determinados pela Direção-Geral do Território. Houve uma análise prévia desses polígonos, que estão certos, mas estão muito aquém daquilo que são as áreas impactadas, já demos também nota disso à tutela. Os municípios aqui fazem sempre parte da solução e o município de Proença-a-Nova não é diferente. Nesses territórios que estão identificados nesses polígonos será agilizado o apoio financeiro que oscilará entre 1.000 e 1.500 euros ao hectare, quer do ponto de vista da limpeza, quer na ajuda aos proprietários para retirar a madeira, mas debatemo-nos com um problema que é a falta de meios.

Não há meios, os meios estão todos cativos. Evidentemente, a população, as associações, as comunidades têm-se empenhado de forma muito positiva na limpeza desses caminhos, mas não chega. Os municípios aqui vão ter que direcionar durante esta janela de oportunidade, abril, maio e junho, para que essa circunstância se promova, no sentido de desimpedir ao máximo os caminhos florestais.

Exatamente. Ainda estamos muito longe, a três meses, mas a circunstância é que, de acordo com aquilo que são as expectativas meteorológicas, o verão vai ser rigoroso e, portanto, obriga todos, de facto, a terem mais cuidado. Isto é um apelo que também faço ao cidadão comum ao ir à floresta, a fazer as queimadas, a utilização do fogo, deve ser reduzido ao mínimo.

Em termos de apoios, o que é que já foi concedido, quer às empresas, quer às populações?

Sim, relativamente às populações e aquilo que tem a ver com as habitações e aquelas que foram objeto de distribuição nas suas coberturas, o processo está a andar, agora razoavelmente bem. Infelizmente, tenho de dar nota disto também porque é importante, na validação dos pedidos tem sido detetada muita fraude ao sistema. Uma cobertura tem mil euros e dizem que é 5 mil, por exemplo. Há mesmo situações relatadas de situações que não existem, que são fotografias e isto também nos suscita alguma preocupação. A ajuda é para ser dada e está a ser dada, mas tem que ser uma ajuda justa, assertiva e quantitativa relativamente aos danos.

Nós fizemos um trabalho na altura muito importante. Logo no segundo dia metemos equipas no terreno a verificar tudo e, portanto, foi um trabalho prioritário que fizemos e percebemos bem as situações.

Depois, os apoios das empresas também estão a andar, esteve um bocadinho atrasado. A semana passada já houve articulação entre os bancos e a CCDR e o Banco de Fomento, para que isso fosse desbloqueado. Das reuniões que tivemos com o Sr. ministro foi dito que vai haver adiantamentos, mas até hoje os municípios ainda não tiveram ajuda nenhuma do ponto de vista financeiro.

  • Fonte: Rádio Renascença
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