Uma surpreendente "tonalidade acastanhada". O que nos mostram as novas imagens da Lua?

Uma surpreendente "tonalidade acastanhada". O que nos mostram as novas imagens da Lua?

  • 07/04/2026 18:22
  • Redação

A primeira tem o nome de "Pôr da Terra", um nome que homenageia a foto "Nascer da Terra" tirada pelos astronautas da missão Apollo VIII a 24 de dezembro de 1968. A segunda fotografia, também revelada pela Casa Branca, apresenta o eclipse solar visto pelos astronautas no voo pela face oculta do satélite natural da Terra.

Para o astrofísico Rui Agostinho, a novidade está no facto de estas fotografias serem captadas pela mão de alguém, com uma máquina fotográfica moderna, 50 anos depois.

Do ponto de vista científico, Rui Agostinho diz que é mais um contributo para a imensa coleção de imagens já captadas da lua.

“Obviamente que estas fotografias serão agregadas àquilo que é o repositório de fotografias que já existe sobre a Lua a toda a sua volta, porque repare, desde os anos 90, que a sonda Clementine fez um grande mapa muito detalhado da superfície da Lua. Antes disso, para os astronautas irem à Lua, foram lançadas também sondas para fotografar a Lua. Isto é, desde os anos 60 até hoje, o repositório de informação sobre a Lua, do ponto de vista fotográfico, é imenso”, conta.

Por outro lado, o investigador em Ciências do Espaço sublinha um detalhe que sobressai das fotografias: o tom acastanhado da superfície lunar.

“Em geral, quando vemos as fotografias da superfície, aparece mais uma cor neutra a preto e branco, com tonalidades de cinzento, mas aqui é possível ver uma tonalidade acastanhada, apesar de não estar iluminada, fica acastanhada e isso é algo que surpreendeu estes próprios astronautas”, acrescenta.

Rui Agostinho explica que esta tonalidade acastanhada na superfície da Lua tem a ver com o material geológico que a constitui. "A Lua tem vulcões e além disso, reflete uma grande amplitude térmica e o choque com meteoros", sublinha.

O investigador adianta que agora seria necessário recolher amostras do solo do lado oculto da Lua, o que não está incluído nesta missão. Em todo o caso, o astrofísico diz que até agora estão cumpridos os objetivos da Artemis II, quando já se pensa na próxima missão.

Rui Agostinho destaca ainda que esta ida à Lua implica uma série de testes a nível tecnológico, para preparar o futuro.

“Há muitas empresas que estão a experimentar coisas. Por exemplo, a Apple forneceu telemóveis iPhone da última geração adaptados para trabalhar dentro da nave. Portanto, retirou algumas peças de telecomunicações de longa distância que não fazem falta nenhuma ali, porque aquilo é o habitat e mais nada. Na realidade, estão a ser feitos testes porque as condições de radiação, no espaço, assim como as condições de telecomunicações, são diferentes daquilo que há na Terra. Está-se a pensar no futuro."

"Agora vou divagar: Quando houver uma base de pessoas na Lua, precisarão de telecomunicações quando estiverem a quilómetros de distância umas das outras. Creio, até que foi a Nokia que lançou uma proposta para a NASA, e julgo que foi aceite, para lançar torres de telecomunicações na Lua para permitir que quando algum grupo se afasta de um veículo elétrico para mais longe, poder sempre ter telecomunicações como a base”, especifica.

A tripulação da missão Artemis II iniciou oficialmente a viagem de volta à Terra onde deverá chegar na sexta-feira, dia 10.

  • Fonte: Rádio Renascença
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