Trump aceita a proposta para um cessar-fogo com o Irão. Quais são as condições desta trégua?

  • 08/04/2026 03:33
  • Redação

É a notícia que marca esta manhã: Donald Trump aceitou a proposta para um cessar-fogo com o Irão, depois de ter ameaçado arrasar uma civilização. Foi mesmo a acabar o prazo dado ao Irão para reabrir o Estreito de Ormuz.

A fórmula é aparentemente simples. Os Estados Unidos suspendem os bombardeamentos por duas semanas e, em troca, o Irão compromete‑se a reabrir o Estreito de Ormuz de forma completa, imediata e segura durante essas duas semanas.

É, no essencial, o que consta da proposta de trégua entregue pelos mediadores do Paquistão - um plano em 10 pontos - que não resolve as causas do conflito, mas pretende, pelo menos, criar as condições para que as partes em conflito suspendam as hostilidades.

Sim, mas com uma condição. A passagem segura no Estreito de Ormuz fica condicionada à coordenação militar iraniana. Ou seja, Teerão aceita reabrir a passagem, mas não abdica do controlo operacional, o que pode traduzir-se inspeções, escoltas, restrições técnicas ou mesmo a cobrança de uma espécie de portagem a quem pretenda fazer a travessia.

Ainda não há qualquer indicação de que isso já tenha acontecido. Terá de ser o regime iraniano a confirmar essa decisão. Certo é que as duas semanas de cessar-fogo só começarão a contar, efetivamente, assim que o Estreito de Ormuz for reaberto.

Não significa o fim da guerra. No melhor dos cenários, estas duas semanas poderão ser a antecâmara para algo eventualmente mais definitivo. Como em todas as situações deste género, o anúncio de um cessar-fogo não acaba logo com as hostilidades. Esta madrugada, houve registo de alertas de ataques e lançamentos de mísseis. Portanto, o conflito no terreno não acaba por decreto de um cessar-fogo. A situação continua a ser bastante instável.

Sim, Israel também aceitou os termos do cessar-fogo e compromete-se a suspender os ataques durante o tempo em que a trégua vigorar. Mas apenas com o Irão. O gabinete de Benjamin Netanyahu admite a suspensão da ofensiva contra o Irão, mas exclui o Líbano. Aliás, esta madrugada já houve bombardeamentos no sul do território libanês por parte das forças israelitas.

Com sinais de alívio, nomeadamente na cotação do barril de Brent, que cai cerca de 15% - a negociar entre os 92 e os 95 dólares. Portanto, abaixo da fasquia dos 100 dólares.

Sendo assim, diminui o risco de um choque de oferta - pelo menos no imediato. Mas a trégua é muito curta. São apenas duas semanas e tem de ser cumprida, para que este alívio possa ser consistente e ter efeitos no bolso dos consumidores, a começar pelo preço dos combustíveis.

  • Fonte: Rádio Renascença
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