Paulo Rangel e o cessar-fogo no Irão: "Aquilo que este acordo nos dá é tempo"

  • 08/04/2026 07:00
  • Redação

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, diz que o acordo de cessar-fogo conseguido nas negociações no Paquistão "dá tempo" para uma negociação mais ampla e constitui "um primeiro passo, um passo indispensável".

Quanto ao papel de Portugal e da União Europeia, o ministro dos Negócios Estrangeiros diz que o mais importante será "darem um apoio muito grande aos mediadores" e, tanto na região, como junto dos EUA, "fazermos a nossa pedagogia".

Como interpreta este cessar-fogo temporário? Será o primeiro passo para uma paz mais duradoura?

Sem dúvida. É um primeiro passo, é um passo indispensável. Obviamente que nós saudamos este acordo, elogiamos a ação do Paquistão. Eu tinha, na segunda-feira, tido uma conversa detalhada sobre o andamento das negociações com o meu homólogo paquistanês e ontem com o homólogo egípcio, que já davam alguns sinais de esperança, não certezas, mas sinais de esperança de que as coisas poderiam ter um rumo positivo.

Agora, evidentemente que aquilo que este acordo de cessar-fogo nos dá é tempo. É preciso um conjunto de garantias que terão de ser negociadas com detalhe, com tempo, com alguma paciência e, por isso, o facto de termos agora 15 dias como base para a negociação, é, obviamente, uma boa notícia. Temos de ter uma grande esperança e ajudar.

Primeiro, é Portugal e a Europa darem um apoio muito grande aos mediadores. E, junto com os Estados Unidos, que é um país amigo, que é um aliado tradicional, evidentemente, também fazermos a nossa pedagogia. E junto de Israel, também. Falei com o ministro Israelita e falei com o secretário de Estado Marco Rubio durante esta crise...

Nós demos a nossa leitura do conflito. Não vou agora entrar em detalhes porque isso não teria sentido absolutamente nenhum. Não é minimamente próprio. A única coisa que eu digo é que a nossa posição foi sempre a de desescalar o conflito, privilegiar a solução diplomática. Agora, quem tinha o reconhecimento de ambas as partes, que era o Paquistão e outros países, mas, em particular, o Paquistão, é que precisa de ser ajudado. Repare: não se trata de saber quem é que faz a paz, mas quem é capaz de a fazer.

Tem a expectativa de que, a qualquer momento, possa ser reaberto o Estreito de Ormuz à circulação de navios?

Isso é, sem dúvida, muito importante. Os termos do acordo estão definidos pelo Paquistão, pelos Estados Unidos e pelo Irão. Evidentemente que aquilo que nós esperamos é que aconteça a uma reabertura do Estreito de Ormuz. Esperamos que haja esses sinais positivos no quadro deste cessar-fogo, para que, durante esses 15 dias, se possa trabalhar num plano muito mais ambicioso de paz duradoura e sustentável na região do Médio Oriente, que será também fundamental para a estabilidade e segurança a nível global.

  • Fonte: Rádio Renascença
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