Número de crianças e jovens apoiados pela APAV aumenta 50% em quatro anos

Número de crianças e jovens apoiados pela APAV aumenta 50% em quatro anos

  • 08/04/2026 09:04
  • Redação

Aumentou 52,4% nos últimos quatro anos - para 13.039 - o número de crianças e jovens vítimas de crime e violência, apoiadas pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

De acordo com os dados divulgados esta quarta-feira pela APAV, a violência doméstica continua a ser o crime mais cometido (61,7%), seguido dos crimes sexuais (31,8%).

Entre 2022 e 2025 observou-se um "aumento expressivo" dos casos de abuso sexual de crianças, que passaram de 390 em 2022 para 864 em 2025, o que corresponde a um crescimento de 121,5%.

Esse trabalho não pode ser feito "a pensar naquilo que é o comportamento das vítimas para as tornar menos propensas à vitimação", mas também "pensar em mecanismos que podem ser usados pelas próprias plataformas para poder rastrear e evitar a prática de situações violentas", diz Carla Ferreira.

"Temos um problema gravíssimo a acontecer. Desde o dia 3 de abril não foi feita uma renovação de um acordo entre líderes europeus que permitia às plataformas digitais acompanhar, rastrear situações de crimes sexuais ocorridos em contexto online. Isto significa que neste momento as crianças estão ainda mais vulneráveis, mais expostas", alerta.

Os dados revelam que a maioria das vítimas de violência sexual são meninas ou raparigas, seguindo-se os rapazes (39,9%), sendo residual a percentagem de situações com outra identificação de género ou sem informação.

Relativamente à idade, verificou-se uma maior incidência entre os 11 e os 14 anos (30,9%), seguidos do grupo dos 6 aos 10 anos (26,9%), das crianças entre os 0 e os 5 anos (20,3%) e dos jovens entre os 15 e os 17 anos (21,9%).

Os agressores identificados neste período eram maioritariamente homens (61,9%), sendo que, em 39,6% das situações, a pessoa agressora é a mãe ou o pai, o que evidencia a proximidade entre vítima e agressor, salienta a associação.

Carla Ferreira destaca o aumento da violência contra as mulheres, nomeadamente, no que toca aos jovens, a violência do namoro, que "começa a ter um padrão de frequência e de severidade muito significativos".

A porta-voz da APAV nota que, muitas vezes, estes comportamentos refletem "algumas crenças que provém do contexto familiar" mas também, e cada vez mais "alguns discursos que têm sido vistos online de alguma apologia à violência contra as mulheres e à misoginia que devem ser tidos em linha de conta quando falamos de prevenir estas situações".

A APAV presta apoio jurídico, psicológico e social, gratuito e confidencial, através da Linha de Apoio à Vítima 116 006 (gratuita, dias úteis das 08h00 às 23h00), do Chatbot APAV, disponível em permanência, e da sua rede nacional de gabinetes e estruturas de proximidade.

No âmbito da resposta a situações de abuso sexual de crianças e jovens, a APAV disponibiliza ainda a APAV CARE, uma resposta especializada que assegura acompanhamento integrado às vítimas.

  • Fonte: Rádio Renascença
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