"Não foi nisto que votámos". Antigos apoiantes e líderes republicanos querem destituir Donald Trump
- 08/04/2026 09:52
- Redação
Para isso, personalidades como Alex Jones, Marjorie Taylor Greene ou Candace Owens têm apelado a que seja invocada a 25ª Emenda, que permite ao vice-presidente, JD Vance, e à maioria do gabinete do Presidente, declararem Donald Trump como "incapaz de governar".
Taylor Greene, que foi congressista republicana até romper a ligação com Trump — depois de o criticar a propósito dos ficheiros Epstein —, atacou o Presidente pela sua "maldade e loucura". "Não caiu uma única bomba na América. Não podemos matar uma civilização inteira", escreveu nas redes sociais.
Também Alex Jones, outro antigo aliado de Trump e membro do movimento MAGA, descreveu o Presidente norte-americano como um "supervilão desequilibrado da Marvel" após o ultimato feito ao Irão.
"Não foi nisto que votámos. A definição de genocídio é destruir uma civilização inteira", disse, sublinhando que as ameaças de Trump soam a alertas de crimes de guerra.
Esta emenda à constituição norte-americana foi adicionada em 1967 e certificada por Lyndon B. Johnson, depois do assassinato de John F. Kennedy em 1963. Tinha o objetivo de resolver questões de continuidade presidencial e vice-presidencial em caso de impedimento.
Entre os pontos criados, a emenda veio permitir que um Presidente se declare incapaz de cumprir as suas funções, transferindo o poder para o seu vice-presidente.
Para isso, é autorizado que o vice-presidente — neste caso, seria JD Vance — e a maioria do gabinete do chefe de Estado (ou a maioria de outro órgão criado pelo Congresso) declarem um Presidente "incapaz de exercer os poderes e deveres de seu cargo". Neste cenário, o vice-presidente seria elevado a Presidente interino.
Este é um termo vago, que pode incluir questões relacionadas com saúde física ou mental, e que chegou a ser apontada por republicanos para afastar Joe Biden.
E se acontecesse com Trump? Nesse caso, o Presidente poderia retomar os poderes se emitisse uma declaração afirmando "não existir incapacidade" para exercer funções, enviando-a aos líderes do Congresso. Mas se JD Vance (e quem mais tivesse invocado a 25ª Emenda) insistisse na declaração, o Presidente não poderá continuar no cargo.
Em seguida, é preciso que a Câmara dos Representantes e o Senado votem e alcancem uma maioria de dois terços, concordando que o Presidente dos Estados Unidos não pode manter-se no cargo.
No entanto, este cenário é pouco provável. JD Vance é próximo do Presidente, o gabinete de Trump é composto por apoiantes do Chefe de Estado, e a maioria dos republicanos na Câmara dos Representantes e do Senado aprova as suas políticas.