Após cessar-fogo, quando poderá o preço dos combustíveis voltar ao normal?

  • 08/04/2026 14:15
  • Redação

Ainda não há resposta, porque é preciso entender se o acordo de cessar-fogo de 15 dias vai mesmo resultar numa paz duradoura e se o Estreito de Ormuz vai mesmo ser reaberto.

Nas últimas horas, este estreito voltou a ser fechado pelo Irão em protesto contra os ataques israelitas que prosseguem no Líbano.

O Irão defende que o cessar-fogo abrange também o Líbano, mas o Presidente norte-americano, Donald Trump, já rejeitou este pedido.

Os mercados reagem hora a hora: o petróleo que na manhã desta quarta-feira chegou à casa dos 92 dólares por barril, pela tarde já se aproximava dos 95 dólares – valores abaixo do que tem estado.

Para já, há expectativa para ver se o Estreito de Ormuz reabre ou não, uma vez que ainda estão cerca de 800 navios bloqueados na região.

Enquanto não for normalizado o trânsito de petroleiros, os preços vão continuar muito pressionados.

Em breve não será. Como disse o antigo secretário de Estado da Energia e ex-presidente da Endesa, Nuno Ribeiro da Silva, o preço do barril de petróleo só representa uma parcela de 25% do custo a que os derivados do petróleo chegam às estações de serviço.

É preciso ter em conta um conjunto de fatores, como os seguros que os armadores pagam para a circulação de petroleiros, a refinação, o armazenamento e a distribuição. Para além disso, junte-se à lista de despesas os impostos que pagamos na hora de abastecer o carro.

Ou seja, há sinais que permitem algum otimismo, mas vai demorar algum tempo até pagarmos o mesmo que pagávamos, antes desta guerra, para abastecer o carro.

Segundo Nuno Ribeiro da Silva, poderá demorar mais de um mês para que toda esta máquina volte a ficar oleada.

É preciso que os petroleiros comecem realmente a circular e sem ameaças, que a extração, armazenamento e distribuição de crude volte a estabilizar e, sobretudo, que este acordoo de cessar-fogo se transforme num verdadeiro acordo de paz.

Só deste modo é que a confiança pode regressar aos mercados o mais rapidamente possível. Os próximos 15 dias serão determinantes.

De alguma maneira, as reservar de petróleo em Portugal podem ajudar, mas o petróleo que chega ao nosso país é proveniente de origens muito diversas. Importamos, por exemplo, petróleo do Brasil, da Nigéria, dos EUA e, em tese, isso poderia significar uma menor exposição à crise no Médio Oriente.

O problema é que as cotações internacionais de referência para o petróleo, e para os combustíveis, são negociadas num mercado global.

A crise no Médio Oriente fez disparar o preço do barril de petróleo e os produtos refinados em toda a cadeia, mesmo quando o fornecimento chega de outras paragens – e é por isso que estamos a pagar mais de dois euros por litro de gasóleo, quando abastecemos o carro em Portugal.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: