Preço dos combustíveis deve descer, mas "levará semanas" a chegar aos valores pré-guerra

  • 09/04/2026 01:30
  • Redação

O antigo ministro da Economia António Costa Silva diz que "levará semanas" até que o preço dos combustíveis retomem os valores praticados em fevereiro, antes do início da guerra entre os Estados Unidos da América e o Irão.

A demora decorre dos danos ainda por calcular nas centrais de energia na região do Médio Oriente e dos atrasos na circulação de navios que exportam a matéria-prima.

O antigo governante, que foi presidente durante mais de uma década da petrolífera Partex, considera que a queda registada no preço do Brent é "um sinal muito importante para o funcionamento da economia internacional", mas destaca que há "variáveis-chave" que não podem ser esquecidas.

Costa Silva sublinha que há cerca de 15 milhões de barris de crude em falta no mercado internacional, em resultado do fecho do estreito de Ormuz e da dificuldade para a passagem de navios no canal. O antigo governante recorda que cerca de 800 navios estiveram "sequestrados" no canal e que é ainda necessário perceber como será retomado esse tráfego.

"Eu penso que o tráfego se vai restabelecer a conta-gotas. Se isso acontecer e o acordo de paz for sólido são boas notícias para o funcionamento dos mercados, mas penso que nas próximas semanas não voltamos aos preços que tínhamos antes, porque além desta falta de barris ainda não sabemos a dimensão dos estragos nas principais centrais de energia naquela zona do mundo", afirma.

O antigo ministro da Economia recorda que há reporte de danos num dos maiores campos de produção de gás do mundo no Qatar e ainda uma degradação dos mercados asiáticos que pode influenciar a recuperação do europeu. "Vai demorar algumas semanas [a retomar os preços dos combustíveis] e nós também não podemos esquecer que aquilo que se está a passar nos mercados asiáticos pode contaminar a Europa", avisa.

António Costa Silva reconhece que o Governo "está atentar fazer um esforço" nas medidas avançadas para mitigar o aumento do preço dos combustíveis, mas entende que o executivo "poderia fazer bastante mais".

O antigo ministro da Economia defende que o país "não pode ter excedentes e anunciar isso com grande felicidade quando está a cair aos bocados" – numa referência ao excedente orçamental atingido no final de 2025 e conhecido nas últimas semanas.

O ex-governante entende que "é fundamental haver equilibro nas contas", mas considera necessário "auxiliar a economia com pacotes bem desenhados".

António Costa Silva confessa estar preocupado com a "coligação de crises" tendo em conta que a crise energética aparece quase em simultâneo com a crise das tempestades. O antigo ministro da Economia destaca que o mau tempo afetou muito o tecido empresarial português, que foi "altamente fustigado", e defende que esse deve ser o foco . "Tem que haver subvenções para auxiliar as empresas. Se não existir, o tecido produtivo vai sentir muitas dificuldades", avisa.

  • Fonte: Rádio Renascença
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