Pressão de Seguro pode "chamuscar" o Governo, assume Duarte Pacheco

  • 09/04/2026 01:30
  • Redação

Duarte Pacheco, antigo deputado do PSD, avisa o Governo que, se continuarem os atrasos nos apoios às zonas afetadas pelas tempestades, pode sair "chamuscado" pela pressão de António José Seguro – que continua em périplo pelos municípios mais fustigados.

"Se nada acontecer, passados dois meses e mais dois, claro que isto vai desgastar o Governo, não tenho qualquer dúvida sobre isso", afirma Duarte Pacheco.

No entanto, o deputado do PSD acredita que o destino "está nas mãos do Governo" ao acelerar os apoios. "Se não fizer será punido, pelo menos em termos de opinião pública".

Duarte Pacheco acredita que o Presidente da República não está a assumir o "papel da oposição", e realça que em algumas áreas até deu a mão a Luís Montenegro.

"Aqui pode chamuscar o Governo por estar a pressioná-lo, mas há outras áreas onde tem ajudado, por exemplo na reforma laboral", argumenta o antigo deputado do PSD.

Mariana Vieira da Silva, deputada do PS, acredita que António José Seguro está a "desmontar a estratégia comunicacional do Governo", e a evitar que o efeito das tempestades seja "esquecido" ou substituído.

"O Presidente da República pode exercer esse papel de não deixar esquecer assuntos e promessas", defende a antiga ministra da Presidência.

Vieira da Silva lamenta que o Governo insista em atirar as culpas dos atrasos para as autarquias e diz estar curiosa sobre o que fará Seguro se os atrasos nos apoios se mantiverem.

"Se daqui por dois meses permanecer tudo na mesma, como é que muda o tom do Presidente da República, isso nós não sabemos", afirma.

A deputada socialista elogia o papel de António José Seguro ao "ser a voz daqueles que não têm voz", e afasta um cenário de o PS ser substituído pelo Presidente da República na oposição.

Mariana Vieira da Silva prefere olhar para a outra face da mesma moeda: "Aquilo que pode acontecer é o PS não estar sozinho", vinca.

"Não sinto, e julgo que o PS não deve sentir esses problemas", define Mariana Vieira da Silva.

"Nas tensões que aconteceram na Assembleia da República as coisas podem ser um pouco diferentes, mas a pressão do Presidente da República não deve fazer com que o PS perca a sua capacidade de ser muito vocal", pede a socialista.

O aparente cessar-fogo no Irão foi um dos temas em debate no Casa Comum. Duarte Pacheco, do PSD, fala numa grande derrota para os Estados Unidos e lamenta a forma como Donald Trump tem falado sobre o tema.

"Donald Trump não se desgasta porque é inimputável. Estamos a falar de alguém que eu acho que já está claramente ao nível da demência e infelizmente tem um poder brutal que nos afeta a todos", afirma o social-democrata.

Duarte Pacheco classifica o desfecho como um "grande desastre" para os Estados Unidos e acredita que o regime dos Aiatolás pode sair "mais radical" desta guerra no Médio Oriente.

Já Mariana Vieira da Silva, deputada socialista, acredita que dificilmente o cessar-fogo pode ser eficaz quando a violência marca os discursos do presidente norte-americano.

"A banalização de uma linguagem tão agressiva que chegou a falar do fim de uma civilização é uma coisa gravíssima que com muita probabilidade perdurará no pós-Trump", afirma a deputada do PS.

A antiga ministra do PS argumenta que "é muito difícil esperar um cessar-fogo eficaz - ainda que todos o desejemos - quando é esta linguagem que está em cima da mesa".

  • Fonte: Rádio Renascença
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