Quebra de lucros na TAP “não são uma catástrofe para a privatização”
- 09/04/2026 08:16
- Redação
No entanto, Pedro Castro afasta a eventualidade do resultado vir a alterar o valor da empresa.
A TAP registou uma queda de 92% no lucro líquido no ano passado. No ano passado, a companhia aérea portuguesa teve um resultado líquido de 4,2 milhões de euros. Para estes resultados, segundo escreve a TAP contribuem o efeito extraordinário de atualização de IRC e o aumento dos custos num momento de incerteza no setor.
Há um ano a TAP tinha registado lucro de 53,7 milhões de euros, ano em que já tinha registado um decréscimo de 70%.
Pedro Castro lembra, contudo, que a quebra nos lucros demonstra que o modelo desenhado pelo Governo para a companhia aérea - e que o futuro comprador está obrigado a cumprir - não está a ter a compensação esperada.
“Estes resultados são mais uma vírgula. Não concordo que sejam uma catástrofe para o processo de privatização ou o privado estava a pensar uma coisa e agora viu estes resultados e vai embora. Não”, defende.
“Isto é só mais uma vírgula que eles vão ter que analisar. Mas sobretudo, o que é que estes resultados nos dizem? É que esta conversa de sermos a ponte do Brasil e dos Estados Unidos para a Europa, não vale tudo isso. O retorno que nós temos enquanto empresa aérea, ele é pouco”, define o especialista.
No relatório de contas, a empresa aponta o efeito extraordinário da atualização de IRC como uma das causas para o resultado menos positivo. Esse é um dos pontos que os dois grupos que concorrem à privatização de parte da TAP irão agora analisar
Pedro Castro lembra que o comprador terá uma posição minoritária na empresa, e não vai poder alterar a morada fiscal para melhorar os números da companhia aérea.
“Se eu quiser mudar a minha residência fiscal, como é meu direito, enquanto empresa europeia, eu não vou poder fazer isso porque eu tenho ali um acionista maioritário que me vai bloquear isso. Jamais o Estado português vai em Assembleia Geral aprovar e tem essa maioria de bloqueio, essa mudança de residência fiscal. E isto é um ponto prático que estes resultados mostraram, porque a TAP está a queixar do ajuste do IRC”, remara o especialista em aviação, Pedro Castro.