Regresso do vasilhame na reciclagem: “Estamos mesmo sem saber o que fazer”
- 10/04/2026 02:30
- Redação
No mini-mercado de Daniel Pinto, são muitas as dúvidas sobre o sistema “Volta” que permite, a partir desta sexta-feira, o reembolso de 10 cêntimos pelo deposito de cada garrafa de plástico ou lata de bebida.
“A única coisa que sei é que tenho de fazer uma atualização no programa informático, mas ainda não há muita informação sobre como é que se vai desenrolar”, lamenta o pequeno empresário de Penafiel lembrando que a própria atualização do sistema é “mais uma despesa” para o seu bolso.
“Sabemos que temos de cobrar uma taxa extra ao cliente, mas não temos conhecimento de mais nada. Estamos mesmo sem saber o que fazer”, aponta Daniel dando como exemplo o stock em loja de garrafas, ainda, sem o novo símbolo “Volta” que permite o seu deposito e reembolso.
“Já questionei até no armazém e ninguém me sabe dizer de nada”, lamenta o comerciante. “Ainda esta semana fui às compras e vem tudo faturado normal. Não sabemos se, em relação ao stock antigo, vamos ter de fazer alguma coisa”.
Outra dúvida do empresário é caso algum cliente peça ao balcão a devolução dos 10 cêntimos. Daniel não saber o que dizer, nem fazer.
“Não sei se a garrafa foi comprada aqui. Por aqui passa muita gente”. Se aceitar, “depois vou com a garrafa ao supermercado? Talvez, mas está a ver a logística”.
Com menos de 50 metros quadrados, o mini mercado de Daniel não tem a obrigatoriedade de ter equipamento de deposito e reembolso de embalagens.
Porém, este cenário diferente é nos super e hipermercados onde as máquinas já estão instaladas.
Quem passa por elas, como Augusto Pinto em dia compras, já sabe para que servem.
“Sei que trazendo a embalagem em condições – não deformada – reavemos 10 cêntimos. Parece que é apenas um depósito e reavemos o vasilhame. É uma forma de nos obrigar a reciclar”, aponta o consumidor reconhecendo que a medida “já chegou tarde”. “Noutros países acho que já existe há muito tempo”, aponta.
Também Andreia e Juliana concordam com a implementação do sistema. Há muito que as duas amigas reciclam. Quem ainda não o faz “vai ser obrigado a fazer ou, então, vai ficar sem aquele valor”, atira Juliana.
“Agora as embalagens vão ter um selo e podemos colocá-las naquelas máquinas para reembolsar o dinheiro que vai para o cartão ou em vale”, explica Andreia que acredita que agora “não há alternativa”. “ A não ser que optemos pelos pacotes, mas pacotes só há sumos”, brinca.
Cada garrafa de plástico até três litros ou lata de metal passa a ter um acréscimo de 10 cêntimos – valor que é devolvido quando o vasilhame é depositado nos pontos de recolha.