Festival LeV em Matosinhos faz 20 anos e a longevidade mede-se em leitores
- 10/04/2026 05:00
- Redação
No último ano a Biblioteca Florbela Espanca, em Matosinhos, “emprestou 56 mil livros tradicionais em suporte de papel e 90 mil digitais”. Os números são avançados pelo vereador da cultura da autarquia para explicar “a longevidade” e o “sucesso do LeV, o Festival Literatura em Viagem que completa 20 anos e que arranca sexta-feira, em Matosinhos.
Até dia 19 de abril, a cidade recebe autores nacionais e internacionais de renome, entre eles a escritora de origem chinesa, Jung Chang – autora do célebre “Cisnes Selvagens”. Também pelas sessões em Matosinhos vão passar escritores de língua portuguesa como José Eduardo Agualusa, Mia Couto, Tatiana Salem Levy ou Valter Hugo Mãe.
Esses mecanismos traduzem-se hoje não só em leitores como no público que enche o auditório da Biblioteca Florbela Espanca durante os dias do festival. Em Matosinhos vão estar, nesta edição, outros escritores como Gonçalo M. Tavares, Hugo Van Der Ding, o francês Patrick Deville ou a islandesa Yrsa Sigurðardóttir – uma das mais importantes vozes do thriller nórdico.
Com entrada gratuita, o festival conta também com o “LeVzinho” que oferece programação para os mais novos. Fernando Rocha sublinha o esforço de criar novos leitores.
“Nós vamos à escola durante todo o ano. Vamos ao encontro das pessoas, trazemos as pessoas para dentro dos livros, das histórias e para falarem com os escritores. Acho que esse é que é o grande sucesso do LeV que foi construído e que lhe garante a continuidade há 20 anos”, remata.
No festival, que contará também com a presença da escritora venezuelana Karina Sainz Borgo, haverá uma conversa que terá lugar na Casa da Arquitetura e que juntará o escritor Valter Hugo Mãe com o arquiteto brasileiro Mauro Munhoz, diretor artístico da FLIP – Festa Literária de Paraty.
Segundo o vereador da cultura de Matosinhos, o LeV é um espaço de debate de ideias. “O mundo não está fácil e acho que vale a pena aprender com algumas das pessoas que vêm aqui este ano e com os livros que escreveram”, refere Fernando Rocha, que dá como exemplo a autora Jung Chang.
“Os livros dela mostram o que é viver num país onde não há liberdade e de onde teve que fugir”, destaca sobre a autora que está a lançar “Voai, Cisnes Selvagens”.
Questionado sobre as memórias dos 20 anos do LeV, o responsável recorda a passagem por Matosinhos de nomes como Luís Sepúlveda, Claudio Magris, Enrique Vila-Matas ou Paul Auster.
Mas Fernando Rocha destaca também a presença, nas primeiras edições, de Paul Theroux, uma das referências da literatura de viagem. “Era um nome que sonhávamos e que não era expectável que conseguíssemos”, refere Rocha como um dos triunfos. Outra das presenças que marcou foi o ensaísta Eduardo Lourenço que deu o mote que ainda hoje serve o LeV: “Mais importante do que o destino, é a viagem”.