"Temos de ter aliados em todo o lado", diz Paulo Rangel
- 10/04/2026 14:11
- Redação
Num mundo dominado por grandes potências, Portugal precisa de aliados “em todo o lado”, diz o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, que considera fundamental o investimento na política externa.
“É fundamental [investimento na política externa] porque nós hoje estamos num mundo em que temos de ter aliados em todo o lado com os quais possamos falar e passar mensagens, com os quais possamos estabelecer, às vezes, alianças improváveis”, apontou o governante esta sexta-feira, na Porto Business School, defendendo que o país deve ter “alianças bilaterais muito fortes”.
“O que caracteriza a diplomacia atual é o multilateralismo 'bilateralizado'. É uma expressão muito pomposa, mas, na verdade, é isso que defendermos: o multilateralismo”, acrescentou Paulo Rangel, lembrando que a Defesa e os Negócios Estrangeiros andam “par a par”.
“Temos de reforçar as relações bilaterais e, portanto, precisamos de algum músculo para isso”, explicou . “A Defesa não pode avançar sem os Negócios Estrangeiros e os Negócios Estrangeiros nunca avançam se a Defesa não avançar”, defendeu durante a conferência sobre “Geopolítica, Defesa e Estratégia”.
Para o ministro dos Negócios Estrangeiros, o caminho da estratégia geopolítica deve passar pelos países do Indo- Pacífico, a médio prazo, e dá o exemplo de países como a Malásia ou a Indonésia onde Portugal “tem um ativo por explorar”.
“É algo que é decisivo”, sublinhou, porque “apesar de no Ministério dos Negócios Estrangeiros e de todo o Governo e, especialmente, também no gabinete do primeiro-ministro, termos de gerir as sucessivas crises, não podemos deixar de pensar no médio prazo.
E os primeiros passos já estão a ser dados, apontou, com “a subida do Estatuto do Consulado Geral de Goa para chefia de missão e com a reabertura, ainda este ano, da embaixada nas Filipinas, "a que vamos juntar Hanói e Manila”. “E isto é uma alteração muito importante”, rematou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros falava esta tarde durante uma conferencia sobre Geopolítica, Defesa e Estratégia” na Porto Business School.