Fernando Negrão: "Passos Coelho quer voltar a ser primeiro-ministro"
- 10/04/2026 14:23
- Redação
Fernando Negrão, antigo líder parlamentar do PSD, antigo ministro da Justiça e antigo diretor da Polícia Judiciária, está convencido que Pedro Passos Coelho quer voltar a ser primeiro-ministro.
"O meu palpite é que Pedro Passos Coelho quer voltar a ser primeiro-ministro de Portugal, eu sei que ele tem um projeto para o país e há muita gente que o acompanhará", afirma Fernando Negrão.
O antigo diretor da PJ considera que Luís Montenegro pode evitar este passo, caso comece a fazer mudanças estruturais no país: "Se este Governo fizer ou começar a fazer as reformas sejam importantes para o país, ele não avançará", argumenta.
Negrão reconhece que "Passos Coelho tem falado muito mais" e vinca que as intervenções foram "diretas" e revelam "divergências com a governação" de Luís Montenegro.
Na semana em que o PSD marcou as suas eleições internas para 30 de maio e o seu Congresso para junho, Fernando Negrão acredita que o partido "ganhava em ter mais candidatos", mas admite que provavelmente Luís Montenegro não vai ter concorrência.
"Isto não é nenhum exercício intelectual, é o que é, os partidos políticos são o que são, e nós vamos ter só um candidato", considera o antigo deputado social-democrata.
"Tenho uma opinião positiva, porque pacificou o PSD, mas discordo da forma como se pacificam internamente os partidos políticos - não é só o PSD. Fez uma limpeza daqueles que não estavam de acordo com ele, e ficou só com os indefetíveis à sua volta para fazer a governação do país", afirma o antigo líder parlamentar social-democrata.
Sobre o périplo de António José Seguro desta semana, em que fez uma Presidência Aberta ao passar pelos locais mais afetados pelas tempestades de fevereiro, Fernando Negrão reconhece que o Governo reagiu depois de uma fase de apatia. No entanto, nota que muitos municípios ainda não receberam apoio do Estado central.
O antigo ministro da Justiça elogia o trabalho do Presidente da República ao chamar a atenção para os problemas e a evitar que eles caiam no esquecimento. E aponta algumas críticas ao Governo para responder mais depressa.
"Podia estar mais atento aos problemas, mais perto da população, criar um mecanismo com capacidade de resposta", defende Fernando Negrão.
O antigo ministro da Justiça desdramatizou ainda a possibilidade do arranque de um processo de revisão constitucional, mas admite que a atual aritmética parlamentar vai dificultar as maiorias de dois terços para aprovar o que quer que seja.