Educadora de causas e ideias: o legado de Maria Emília Brederode dos Santos
- 11/04/2026 12:13
- Redação
A pedagoga Maria Emília Brederode dos Santos, que morreu hoje, aos 84 anos, deixa um percurso humanista ligado à melhoria da educação em Portugal, quer no Ministério da Educação quer na RTP, onde se dedicou a programas educativos.
Nascida a 21 de março de 1942, em Campo de Ourique, Lisboa, Maria Emília Brederode dos Santos dedicou a sua vida à educação e é hoje lembrada pelo presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Domingos Fernandes, como "alguém com uma formação profundamente humanista, muito tolerante perante a diversidade de ideias".
"De uma grande leveza na abordagem das questões, mesmo quando eram complexas", afirmou Domingos Fernandes, acrescentando que a especialista, que presidiu ao Conselho Nacional de Educação entre 2017 e 2022, deixa um percurso marcado "por uma grande leveza", ao longo do qual "se preocupou genuinamente pela melhoria da educação em Portugal, e muito particularmente no Portugal democrático e no Portugal livre".
Licenciada em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra e mestre em Análise Social da Educação pela Universidade de Boston, efetuou ao longo da vida um percurso que "não pode ser ignorado por aqueles que acompanharam e acompanham os desenvolvimentos da educação no país".
Entre os vários cargos que exerceu na área da educação, destaca-se a sua missão na Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura e, entre 1997 e 2002, a presidência do Instituto de Inovação Educacional do Ministério da Educação.
De acordo com o seu currículo publicado pela Assembleia da República, ao longo da sua vida como pedagoga esteve ligada a vários projetos, tendo sido diretora pedagógica das quatro séries do programa televisivo "Rua Sésamo", emitido na RTP; coordenou a publicação da "Constituição da República Portuguesa Trocada por/para Miúdos" (Ed. Assembleia da República), foi coautora do Manual de Educação para os Direitos Humanos "Compasito" e autora do livro "Aprender com a TV".
Enquanto assessora do diretor de programas da RTP 2 e do departamento de programas infantis e juvenis da RTP, concebeu, produziu e foi responsável ou coautora de vários programas televisivos educativos, como "Jardim da Celeste", "Alhos e Bugalhos" ou "Poemas Pintados".
Antes, no Ministério da Educação, tinha sido coautora e responsável pelos programas televisivo e radiofónico "Falar Educação" e "Cá fora também se Aprende".
Em 2016, coproduziu um projeto de formação e um manual de Educação para os Media para a Fundação Calouste Gulbenkian.
Presidiu à Associação Portuguesa de Intervenção Artística e de Educação pela Arte entre 2006 e 2008, à Comissão de Avaliação da Escola Superior de Educação pela Arte e ao grupo interministerial para o Ensino Artístico.
Condecorada com a Ordem da Instrução Pública (grau de Grande Oficial, 2004), recebeu o Prémio da "Boston University’s General Alumni Association" em 1994, o Prémio Rui Grácio da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação em 1992 e o Prémio Jean Louis Claparède da Universidade de Genebra, em 1972.
Irmã do advogado e jornalista Nuno Brederode Santos, Maria Emília Brederode dos Santos foi casada com José Medeiros Ferreira (1942-2014).
Maria Emília Brederode dos Santos distinguiu-se também como opositora da ditadura, ação destacada pelo Presidente da República, António José Seguro, que, na sua mensagem de condolências à família, a recordou como "uma mulher do 25 de Abril", comprometida "com a liberdade e com a ideia de que a educação é sempre um ato político".