Yrsa Sigurdardóttir: “Escrevi 21 romances policiais, apenas um é passado no verão”

Yrsa Sigurdardóttir: “Escrevi 21 romances policiais, apenas um é passado no verão”

  • 11/04/2026 15:09
  • Redação

É dona de um sentido de humor apurado. Diz a rir que aligeirou nos crimes cometidos nos seus livros, porque já estava “cansada de espancamentos, estrangulamentos ou de mandar alguém de um penhasco abaixo”. Yrsa Sigurdardóttir que está a lançar em Portugal o mais policial, “Não podes fugir, não podes esconder-te” (ed. Quetzal) participou este sábado, em Matosinhos no Festival Literatura em Viagem (LeV).

Numa conversa pontuada por gargalhadas do público, moderada pela jornalista Isabel Lucas, a escritora traduzida em 34 línguas explicou que, ao contrário dos escritores que gostam de escrever a ouvir música clássica, ela escreve no sofá e a ver filmes de terror na televisão. Os gritos e a música de suspense criam a atmosfera ideal para a sua criação.

Mas a autora é exigente com o que escreve. Na sessão no auditório da Biblioteca Florbela Espanca, admitiu que quando acaba de escrever 10 capítulos, gosta de os rever.

“Sou muito crítica. Às vezes acho que é lixo o que escrevi e reescrevo e fica melhor”, detalhou. Para si, é importante a qualidade, sobretudo porque hoje há pouco tempo para a leitura.

“Pedimos tempo ao leitor. Eles dão o seu tempo para lerem os nossos livros e nós temos de dar um bom livro”, explicou.

A autora que foi questionada sobre a razão dos nórdico estarem entre os melhores autores de policiais, considerou que a culpa é da Natureza.

“A natureza islandesa é bonita, mas pode ser perigosa e cruel. Eu escrevi 21 romances policiais e apenas um é passado no verão. Não é de prepósito! Mas parece que encaixa melhor”, afirmou e rematou a rir que se ela “cometesse um crime seria no inverno!”.

A Islândia não é, contudo, um país com alta taxa de criminalidade, explicou a escritora.

Yrsa contou que “o crime típico na Islândia seria, dois amigos, numa cozinha, a beber e a acabarem a discutir e um deles mata o outro com uma faca da cozinha. Quando a polícia chega ainda lá está com a faca na mão a dizer: ‘O que fiz?!’”. Mas para a autora, quando escreve é preciso dar um retrato social que seja real para que o leitor consiga pensar que aquelas situações podem acontecer.

O lado negro dos livros de Yrsa Sigurdardóttir vem de longe. Ao público que encheu a sala explicou que “realmente” o livro que mais a influenciou, “nem se quer é um romance. É um livro sobre doenças infeciosas”.

Perante o espanto do público referiu que o seu pai é médico. “Estava a estudar para a especialidade as doenças infeciosas quando eu era criança. Eu e a minha irmã víamos aquele livro grosso sobre todas as doenças infeciosas no mundo e achávamos fascinante! Isto foi antes da internet. Não faço ideia em que me teria transformado se já tivesse internet”, rematou a rir.

  • Fonte: Rádio Renascença
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