“O parlamento da Hungria pode ficar só com deputados de direita”, avisa socialista que integra missão da OSCE

“O parlamento da Hungria pode ficar só com deputados de direita”, avisa socialista que integra missão da OSCE

  • 11/04/2026 20:00
  • Redação

As eleições deste domingo na Hungria podem ditar o fim do regime de Vitor Orbán, que está no poder há 16 anos. As sondagens indicam a vantagem do Péter Magyar principal opositor que avisou os eleitores para estarem atentos a “fraudes eleitorais”.

Os deputados portugueses António Rodrigues, do PSD, e Luis Graça, do PS, integram a missão de observação eleitoral da Assembleia Parlamentar da OSCE, que enviou mais de 130 observadores às eleições legislativas da Hungria.

“A Comissão Nacional de Eleições com quem nós estivemos hoje [este sábado] diz que o processo tenderá a decorrer pacífica e calmamente durante o dia de amanhã [domingo]”, refere o deputado António Rodrigues, que não comenta a situação política do país.

“Aparentemente está tudo animado e tudo preparado para participar nas eleições que se preveem que sejam calmas e pacíficas, independentemente dos resultados” conclui o deputado social-democrata.

Numa altura em que as sondagens dão vantagem a Péter Magyar, o líder do Tisza [partido de centro-direita], que é um dissidente do partido de Orbán, o deputado socialista Luis Graça avisa que o Parlamento que sair destas eleições pode ter apenas deputados de direita, o que considera preocupante.

“Como disse, o candidato da oposição é um dissidente do FIDEZ, de Orban, portanto, aquilo que as sondagens apontam é para um Parlamento húngaro só com deputados de direita, da direita do Fidesz, do dissidente do Fidesz e da direita mais radical ainda do Nossa Pátria. Portanto, quando se olha para este cenário, para um socialista, é algo que deixa muita preocupação”, refere Luis Graça.

O deputado socialista, que já em 2022 integrou a missão da OSCE, refere que nos últimos anos a lei eleitoral foi alterada e a criação dos círculos uninominais de 106 deputados, num total de 199, vai beneficiar o partido que está no poder.

“Aquilo que toda a gente aponta é que a mudança de legislação que ocorreu após as eleições de 2022, nos círculos uninominais, que elegem 109 deputados, na verdade favorece a coligação do governo”, garante Luis Graça, que lembra que no relatório que foi feito após as eleições de 2022 já era apontado o enfraquecimento da Democracia.

“É um sinal que, no fundo, aprofunda o relatório que fizemos em 2022, que era de um processo democrático que vinha empobrecendo a Hungria, e uma linha que devia separar o Estado do partido do governo” disse.

Reconhece, no entanto, Luis Graça que há quatro anos, Orbán não tinha oposição e este domingo “muitos dos analistas olham para a Hungria com a esperança de que o Orbán possa ser derrotado” nas legislativas.

As sondagens dão vantagem a Péter Magyar, com uma liderança média de cerca de 10 pontos percentuais, e os seus comícios têm registado níveis de participação invulgares. Dezenas de milhar de pessoas participaram numa manifestação concerto contra o governo o que mostra uma forte mobilização contra o Fidesz.

Ainda assim, Vitor Orbán mantém uma base eleitoral sólida e disciplinada, incluindo eleitores mais discretos que poderão não estar refletidos nas sondagens, acrescenta Graça.

As eleições legislativas vão escolher os 199 deputados do parlamento, num sistema eleitoral misto: 106 deputados são eleitos em círculos uninominais e 93 em listas de partidos nacionais.

Concorrem nestas eleições legislativas, além do Fidesz, de Vitor Orbán, e do Tisza, liderado por Péter Magyar, o movimento Nossa Pátria (extrema-direita), o único outro partido que poderá entrar no parlamento, segundo as sondagens, que indicam também que a Coligação Democrática (centro-esquerda) e o Partido do Cão das Duas Caudas (esquerda liberal e ecologista) não devem atingir o limiar mínimo dos 5% para conseguir eleger deputados.

  • Fonte: Rádio Renascença
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