Embaixador Vale de Almeida. Eleições na Hungria podem provocar "intranquilidade" nas ruas

  • 12/04/2026 03:15
  • Redação

As eleições legislativas deste domingo na Hungria podem trazer instabilidade e tensão social nas ruas. O embaixador Vale de Almeida – que foi diplomata da União Europeia nos Estados Unidos e nas Nações Unidas – espera que o atual primeiro-ministro, Viktor Orban, acabe derrotado pla oposição, mas avisa que uma transição húngara dificilmente será pacífica.

As últimas sondagens apontam para uma derrota do Fidesz de Viktor Órban em prol da vitória do Tisza, liderado por Péter Magyar, pupilo do atual líder do governo e que acabou a romper com o partido do governo. A consumar-se a vitória, Vale de Almeida acredita que também a UE vai estar interessada na estabilização da Hungria.

“Se houver uma vitória da oposição, vai haver alguma intranquilidade na Hungria, mas, por outro lado, estou convencido que todos os outros governos europeus vão apoiar o mais possível, se ele ganhar as eleições”.

Já na perspetiva do comentador Manuel Poêjo Torres, a vitória de Magyar é provável, mas não são “favas contadas”.

“Orbán conseguiu criar um problema na constituição húngara. Os círculos uninominais rurais dão mais votos e mais deputados do que aqueles das grandes zonas metropolitanas. Isto oferece um eleitorado que vota mais no populismo de Orbán do que propriamente de outro tipo de candidatos”, avisa.

Sobre a influência das eleições húngaras na Ucrânia, Poêjo Torres reconhece que uma derrota do Fidesz pode facilitar a entrada de Kiev na UE, mas defende que a adesão depende também dos impactos que a agricultura ucraniana terá no mercado interno.

“A problemática está do lado dos países europeus, especialmente até da própria Comissão, em tentar compreender o que interessa mais para a estratégia dos Estados Europeus e União Europeia. Se fazer fronteira direta com a Rússia, através de territórios que não têm uma fronteira aceite pelas duas partes, comprando essa guerra a médio e longo prazo, ou simplesmente continuar a apoiar, por via dos múltiplos subsídios europeus, um Estado como a Ucrânia”, define.

Já João Vale de Almeida foca-se no papel dos Estados Unidos, para destacar a relevância de uma mudança política húngara para o futuro europeu.

“Temos é de continuar o combate político democrático. Esta dupla crise ucraniana e do Golfo, os problemas com a relação com os Estados Unidos, a ameaça do senhor Putin, a presença constante da China do ponto de vista económico e não só, leva a uma conclusão: a Europa tem de apostar naquilo que eu considero ser a nova fronteira da integração europeia, que é a defesa e a segurança”, apela o diplomata.

  • Fonte: Rádio Renascença
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