Quem é Yudania Gómez Heredia, a maestrina cubana que se tornou viral por liderar a orquestra da tour de Rosalía?
- 12/04/2026 12:09
- Redação
Num equilíbrio entre as músicas de Lux e as músicas do disco Motomami, a orquestra com vinte músicos, posicionada no centro do recinto do Meo Arena, elevou a performance de Rosalía, preenchendo a sala com silêncios, com êxtase, com delírio na rave de “Berghain” e com melancolia no “Mio Cristo Piange Diamanti”. À frente desta orquestra, a Heritage Orchestra, esteve a maestrina Yudania Gómez Heredia.
Nascida em Cuba, em 1994, mas a viver na Alemanha há dez anos, Yudania tem se demarcado nos concertos de Lux da imagem tradicional de um maestro para se tornar, ela mesmo, um verdadeiro fenómeno em palco. A energia da maestrina na junção da música “CUUUUuuuuuute” de Rosalía com “Sweet Dreams (are make of this)", dos Eurythmics, tem-se tornado viral nas redes sociais.
Tal como ela, também a sua entrada na digressão de Rosalía não surgiu de forma tradicional. Depois do lançamento do álbum em novembro passado e do sucesso do primeiro single “Berghain”, que junta a artista espanhola com Björk e Yves Tumor, Yudania partilhou nas suas redes sociais um vídeo em que descontruía de forma sonora esta música.
“É superdramático e melancólico”, diz no vídeo, onde aponta também as referências de Requiem de Gabriel Fauré, da obra de Mozart , Carmina Burana de Carl Orff e ainda óperas dos compositores Jean-Baptiste Lully e George Frideric Handel. O vídeo, que chegou a Rosalía, valeu-lhe o papel principal na orquestra.
Sobre este espetáculo, que arrancou o início de 42 datas em 17 países, descreveu como “uma sensação um tanto surreal”. “As pessoas que querem ouvir a música, que veem tanto o aspeto cénico dos dançarinos quanto o aspeto da performance, também prestam atenção à orquestra porque a orquestra está no meio. E as pessoas são muito gratas à orquestra”, disse.
“Existem muitas facetas da música clássica que são muito abertas, que são super divertidas, e nem tudo tem a ver com a morte de uma pessoa ou com um funeral”, sublinhou, no mesmo podcast.
Na tour Lux, lidera a Heritage Orchestra, uma orquestra internacional, com sedes em diversas cidades. "Dependendo da cidade para onde vamos, os que tocam lá participam no espetáculo”, explicou. Em Lisboa, também músicos portugueses estiveram em palco, escolhidos pelo violoncelista Fernando Costa.
Portanto, o que era esperado, aconteceu: a presença de Carminho em palco, nas duas datas, tornou-se realidade, quando as expectativas do público eram muitas. Mas a fadista não foi a única portuguesa em palco. Violinistas, baixistas, fagotistas, trombonistas e violoncelistas portugueses fizeram parte desta orquestra que seguiu, ao longo de duas horas, a voz de Rosalía. Por motivo de contratos de confidencialidade, os músicos não puderam falar com os órgãos de comunicação, mas em imagens partilhadas nas redes sociais descrevem aquele que foi o “privilégio” e a "sorte” de fazer parte destes concertos.
A digressão segue agora para Barcelona e termina em setembro, em Porto Rico. Em palco, a orquestra continuará a integrar músicos de cada cidade, numa performance conduzida pela cubana Yudania, que tem sido uma das peça centrais na identidade sonora de Lux tour.