Húngaros votam em massa em eleições históricas

Húngaros votam em massa em eleições históricas

  • 12/04/2026 13:37
  • Redação

"Estas eleições são diferentes das eleições de 22, 18, 14 e 2010 porque, pela primeira vez em muitos anos, o Fidesz encontra em Peter Magyar alguém que tem a capacidade de destronar a liderança de Viktor Orbán. Não apenas por desgaste pessoal e institucional de Viktor Orbán à frente dos comandos da Hungria, devido aos múltiplos escândalos que o acompanharam na última década. A Hungria sabe que tem que tomar uma decisão e que Viktor Orbán e o Fidesz, na sua expressão máxima partidária, acabaram por atrair aquilo que é a memória europeia ou europeísta da própria Hungria", afirmou Pedro Poejo Torres.

A elevada participação é lidacomo uma resposta direta da sociedade húngara aos escândalos políticos que marcaram o governo de Orbán, em particular à alegada partilha de documentos confidenciais da União Europeia por parte do ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro com o seu homólogo russo, Sergei Lavrov.

"O ministro dos Negócios Estrangeiros de Orbán partilhou documentos confidenciais do Conselho Europeu, da União Europeia e, quiçá, de outros tipos de organizações que não me atrevo sequer a sugerir, com a Sergei Lavrov, sempre com o circuito de transferência de documentos através da embaixada da Hungria na Rússia. As últimas fugas de informação jornalisticamente tratadas mostram bem que a ligação era mais do que institucional, era mais do que uma aproximação estratégica aos recursos petroquímicos russos, mas uma ligação política", explicou o analista.

Para Poejo Torres, o que está em causa é uma deriva crescente do governo húngaro em relação ao centro de gravidade europeu, num sentido cada vez mais eurocético e pró-Moscovo.

"Fidesz, Viktor Orbán e o seu Governo podem estar a tomar uma direção que é cada vez menos europeísta, cada vez mais eurocética, cada vez mais de abandono e de divergência daquilo que é o centro de gravidade da própria União Europeia, e isso tem que preocupar grande parte dos húngaros", concluiu.

As eleições destinam-se a eleger 199 membros da Assembleia Nacional, sendo necessários 100 assentos para uma maioria simples e 133 para uma supermaioria de dois terços com capacidade de alterar a Constituição.

  • Fonte: Rádio Renascença
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