Eleições na Hungria com forte adesão e sinal político claro, dizem observadores portugueses
- 12/04/2026 17:56
- Redação
Os deputados portugueses António Rodrigues, do PSD, e Luís Graça, do PS, integraram a missão de observação eleitoral da Assembleia Parlamentar da OSCE que acompanhou as eleições legislativas na Hungria, num dispositivo que mobilizou mais de 130 observadores internacionais.
António Rodrigues destacou a normalidade do processo eleitoral do ponto de vista formal, sublinhando a ausência de irregularidades relevantes e a forte adesão dos eleitores desde o início da votação.
“Do ponto de vista formal, o processo eleitoral correu muito e sim bem, não verificámos que houve irregularidades, as pessoas estavam empenhadas e o que de facto chamou a atenção desde as seis da manhã logo, assim que as urnas abriram, foi a participação”, afirmou António Rodrigues.
O deputado descreveu um cenário de elevada afluência às urnas ao longo de todo o dia, com crescimento contínuo das filas e uma mobilização transversal a diferentes faixas etárias, apontando para uma participação próxima dos 80%.
“Assim que abrimos a porta às seis da manhã e nós abrimos uma secção de voto no centro do bairro Budapeste, começaram as pessoas a votar e ao longo do dia o volume de pessoas, as filas de pessoas foram crescendo, as jovens foram aparecendo, os menos jovens estiveram firmes”, disse António Rodrigues.
Referiu ainda um ambiente de entusiasmo nas ruas e uma perceção clara de mudança entre os eleitores, visível em manifestações espontâneas de celebração.
“Sentia-se um cheiro à mudança, as pessoas a festejarem, as pessoas felizes, as pessoas a correrem nas ruas, porque havia qualquer coisa que eles sentiam que não estava bem”, afirmou António Rodrigues.
Sobre os incidentes reportados durante o dia eleitoral, o parlamentar considerou que são situações comuns em processos deste tipo e manifestou expectativa de que não comprometam o desfecho político.
“Há sempre incidentes nos dias das eleições, há sempre qualquer coisa que se estão a roubar e as pessoas fazem denúncias, eu espero que isso não seja desculpa para iniciar um qualquer processo judicial que atrase esta mudança que se sentiu e que é inevitável”, disse António Rodrigues.
Luís Graça sublinhou que os resultados refletem uma vontade clara de transformação política e uma rejeição de determinadas orientações seguidas até aqui.
“O povo húngaro votou claramente numa mudança política. E hoje não foi só Orban que foi derrotado. A narrativa maga da administração Trump, que ainda há dois dias dizia que a democracia liberal, a não-democracia do Orban ia ser o modelo de toda a Europa, também foram derrotados”, afirmou Luís Graça.
O deputado do PS considerou que o novo primeiro-ministro terá de corresponder às expectativas elevadas do eleitorado, nomeadamente no reforço da ligação à União Europeia e na consolidação dos valores democráticos.
“Percebe que o seu povo pediu para ser europeu e pediu para ser democrata e que a democracia na Europa é algo muito profundo e eu acho que ele vai corresponder com isso com uma ligação maior junto da Europa e da União Europeia”, disse Luís Graça.
Luís Graça destacou ainda o papel dos jovens na mobilização eleitoral e na expressão da vontade de mudança, apontando para a forte presença nas ruas de Budapeste ao longo do dia.
“Esta é uma vitória catalisada pelos jovens. Não tenho sobre isso dúvida nenhuma, aliás basta andar nas ruas hoje de Budapeste para perceber os milhares de jovens que estão a inundar, a encher as ruas de Budapeste”, afirmou Luís Graça.
O deputado acrescentou que o novo ciclo político poderá traduzir-se numa reaproximação à União Europeia e numa resposta aos desafios económicos, sublinhando a importância deste momento para o futuro do país.
“O novo Primeiro-Ministro húngaro percebe que não pode defraudar as expectativas do seu povo, sobretudo dos jovens, e vai apostar na Europa e a Europa não deixará de ajudar a Hungria neste momento até a revitalizar a economia e a corresponder aos anseios que o povo hoje expressou nas urnas”, concluiu.