Orbán perdeu. Quem é Magyar, o novo primeiro-ministro da Hungria?
- 13/04/2026 02:52
- Redação
É uma era que chega ao fim. Os húngaros escolheram um novo primeiro-ministro com uma maioria bastante expressiva.
Tem 45 anos, é advogado. Durante muitos anos foi bastante próximo de Viktor Orbán e teve, até, ligações ao partido que agora enfrentou nestas legislativas.
Péter Magyar teve ainda funções em estruturas do estado húngaro, nomeadamente na representação junto da União Europeia.
Magyar surge como rosto de uma oposição capaz de unir diferentes segmentos do eleitorado, da direita conservadora aos setores liberais. E isto em torno de uma promessa: combater a corrupção e mudar o sistema que Viktor Orbán construiu ao longo de 16 anos como primeiro-ministro.
Sim. Aliás, a afluência às urnas - perto dos 80% - é um recorde na Hungria pós‑comunista. Portanto, um sinal da vontade de mudança.
Depois, Viktor Orbán cai ao fim de 16 anos no poder, num país onde o Fidesz tinha mostrado grande controlar o sistema político.
Finalmente, a diferença entre ambos os candidatos: Peter Magyar conseguiu eleger mais de dois terços de deputados para o Parlamento. Ou seja, conseguiu capitalizar o cansaço com o regime, as perceções de corrupção e a promessa de uma maior abertura à União Europeia.
Precisamente, a orientação europeia e institucional. Magyar promete reaproximar a Hungria da União Europeia e da NATO e voltar a apresentar o país como um aliado construtivo, numa aparente viragem face à lógica de confronto de Viktor Orbán com Bruxelas.
Internamente, o primeiro-ministro eleito fez campanha com a ideia de restaurar mecanismos de controlo e de equilíbrio e com um discurso de recuperação das regras do Estado de direito, fazendo com que a justiça e os organismos reguladores deixem de estar capturados pelo Estado.
Era uma das grandes críticas por parte da União Europeia que acusava Viktor Orbán de querer minar as regras democráticas.
Magyar sinaliza, ainda, uma linha mais dura contra a corrupção e a favor de reformas que facilitem o desbloqueio de fundos europeus que estão congelados por causa das preocupações de Bruxelas relativamente ao respeito pelo Estado de direito.
Se com Orbán, a Hungria usou repetidamente o poder de veto para atrasar decisões europeias, já com Magyar, a expetativa é de uma Hungria mais alinhada com os parceiros, até porque o novo líder diz que pretende reparar as relações e recuperar os fundos europeus.
Isso pressupõe cooperação e previsibilidade por parte do novo governo em Budapeste.
Falta agora saber o que fará o novo primeiro-ministro no Conselho Europeu, sendo que nunca disse ao certo como é que se vai posicionar-se em cada voto.
Seja como for, a simples saída de Viktor Orbán reduz o risco de bloqueios que têm travado a ação comum.
Provavelmente, terá perdido o seu aliado mais consistente dentro da União Europeia. Orbán era descrito como o líder europeu mais próximo de Moscovo.
Isso pode alterar a guerra na Ucrânia de forma indireta: quanto mais depressa Bruxelas aprovar apoio financeiro e militar, menor será a margem por parte de Moscovo para explorar divisões internas.