Impasse entre EUA e Irão antecipa agravamento do conflito, alerta analista

Impasse entre EUA e Irão antecipa agravamento do conflito, alerta analista

  • 13/04/2026 04:13
  • Redação

O impasse nas negociações entre os Estados Unidos e o Irão, aliado às recentes ameaças de Donald Trump, faz antever um agravamento do conflito no Médio Oriente. A análise é de Manuel Poêjo Torres, especialista em política internacional, que considera que o cessar-fogo recente pode ter servido apenas como pausa estratégica.

“Este é um momento de impasse preocupante, porque quase de forma garantida nos vem encaminhar para o recomeço de mais violência. E mais violência, depois de um cessar-fogo, quando as partes tiveram duas semanas para se reorganizar e remuniciar. Isso quer dizer que a nova vaga de ataques poderá ser com mais impacto, em maior profundidade, e com mais efeitos estratégicos, para que num segundo momento de negociações, uma das partes mais enfraquecida possa de facto aceitar as condições que lhe são impostas.”

Questionado sobre se este é o cenário mais provável, o analista responde sem hesitação: “Infelizmente sim”.

Para Manuel Poêjo Torres, a ausência de uma pressão internacional eficaz está a contribuir para o prolongamento da crise.

“O Irão pensa que controla os destinos do mercado internacional, mas a verdade é que a vida continuou na Europa, continuou em África e no Indo-Pacífico, e ainda não há clamor mundial por uma resolução imediata.”

O analista sublinha que uma subida significativa dos preços dos combustíveis poderia alterar esse cenário: “Se a gasolina e o gasóleo chegassem a preços de consumidor, se fosse o dobro daquilo que neste momento pagamos, (...) iríamos ouvir uma reação pública muito mais forte. Mas isso ainda não aconteceu”.

Segundo o especialista, Donald Trump enfrenta também pressões internas, nomeadamente devido à proximidade das eleições intercalares nos EUA.

“Uma escalada no Médio Oriente pode levar o preço do barril até aos 140 ou 150 dólares, o que colocaria em perigo a liquidez do mercado americano. Essa é uma barreira que Trump quer evitar.”

Ainda assim, o Presidente norte-americano procura justificar a continuação do conflito junto do eleitorado: “O conflito no Médio Oriente (...) tem reflexos imediatos no consumidor americano. E por isso mesmo tem que garantir que se continua a guerra por um excelente motivo.”

E acrescenta: “Tem que conseguir vender ao eleitorado MAGA (...) que esta é uma guerra justa e necessária”.

Outro fator de tensão prende-se com a posição de Israel, particularmente nas operações contra o Hezbollah no Líbano.

“Donald Trump aqui tem um problema para resolver. Porque (...) Israel já deixou claro que os bombardeamentos vão continuar, nomeadamente sobre Beirute e estruturas do Hezbollah.”

O analista considera ainda que os desenvolvimentos recentes no Irão, incluindo a eliminação de Ali Khamenei, não resultaram numa maior abertura negocial.

“Trump forçou uma mudança de interlocutor, mas agora coloca-se numa posição mais recuada e tenta negociar através de terceiros.”

“O que Donald Trump conseguiu com os seus bombardeamentos estratégicos é fazer com que a Guarda Revolucionária Iraniana colocasse no poder um interlocutor que conversasse como igual com J.D. Vance ou com Donald Trump”, indica, mas, segundo Poêjo Torres, os sinais continuam negativos: “Nem o Irão está preparado para ceder, nem reconhece que está cercado.”

O cenário, conclui, permanece altamente volátil e com forte probabilidade de escalada nas próximas semanas.

  • Fonte: Rádio Renascença
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