“Não sou político, falo do Evangelho”. Papa diz que não debate com Trump

“Não sou político, falo do Evangelho”. Papa diz que não debate com Trump

  • 13/04/2026 04:44
  • Redação

O Papa Leão XIV garantiu esta segunda-feira que vai continuar a erguer a voz contra a guerra e todas as formas de violência, no início da sua viagem apostólica ao continente africano.

O Santo Padre foi questionado sobre as recentes críticas de Donald Trump. Sem entrar em confronto direto, preferiu sublinhar a sua missão espiritual.

“Não sou político, falo do Evangelho”, afirmou o Papa, acrescentando que não pretende alimentar polémicas nem responder diretamente ao Presidente norte-americano.

"Não acho que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada da maneira como algumas pessoas estão a fazer", sublinhou.

Durante o breve encontro com os jornalistas, marcado por várias perguntas feitas em simultâneo, Leão XIV repetiu por diversas vezes que não teme pressões políticas e que a sua prioridade é clara: promover a paz.

“A missão da Igreja é muito clara: bem-aventurados os construtores da paz”, afirmou. Nesse sentido, sublinhou que a Igreja tem a obrigação moral de denunciar a guerra e incentivar a reconciliação.

O Papa destacou também a importância da diplomacia num mundo marcado por conflitos, defendendo que existem sempre alternativas à violência. “A diplomacia encontrará soluções”, afirmou.

Leão XIV inicia assim uma viagem apostólica centrada na promoção da paz, num momento internacional particularmente tenso, reiterando que continuará a falar de forma clara contra a guerra e a favor do diálogo entre os povos.

O subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, António Spadaro, reagiu às recentes declarações de Donald J. Trump dirigidas ao Papa Leão XIV, acusando o antigo presidente norte-americano de revelar “um mal-estar mais profundo” perante a voz moral da Igreja.

Spadaro sublinha que “o Papa fala outra língua, uma que não pode ser reduzida à gramática da força, da segurança ou do interesse nacional”, interpretando o ataque como “uma declaração de impotência”.

“Incapaz de absorver essa voz, o poder tenta deslegitimá-la. No entanto, ao fazê-lo, reconhece implicitamente o seu peso. Se Leão fosse irrelevante, não mereceria uma palavra”, escreveu, ainda, acrescentando que o Papa é “invocado, nomeado, contestado — um sinal de que as suas palavras importam”.

Na publicação, Spadaro defende que é neste contexto que emerge “a força moral da Igreja”, não como um contrapoder político, mas como “um espaço em que o poder é julgado por um padrão que não controla”.

“Leão não responde no terreno da polémica e, precisamente por isso, permanece fora do seu alcance. Ele é livre”, afirma.

O subsecretário conclui que essa liberdade, “desarmada e desarmante”, é “talvez o que mais perturba — e, ao mesmo tempo, o que mais importa”.

“O Papa Leão não é seu rival; nem o Papa é um político. Ele é o Vigário de Cristo que fala a partir da verdade do Evangelho e pelo cuidado das almas”, afirmou Coakley em comunicado, citado pela Reuters.

Leão XIV, natural de Chicago, é o primeiro papa oriundo dos Estados Unidos. Conhecido por escolher cuidadosamente as suas palavras, tem-se destacado nas últimas semanas como um crítico firme da guerra no Irão, tendo condenado a “loucura da guerra” num apelo à paz feito no sábado.

O pontífice já tinha levantado dúvidas, no ano passado, sobre a coerência das políticas de imigração de linha dura da administração Trump com os princípios pró-vida defendidos pela Igreja Católica.

“Alguém que diz: ‘Sou contra o aborto, mas concordo com o tratamento desumano dos imigrantes nos Estados Unidos’, não sei se isso é pró-vida”, afirmou o Papa em setembro.

Trump escreveu, numa publicação no domingo, que “Leão devia comportar-se como Papa”, acrescentando posteriormente aos jornalistas que “não era grande fã” do pontífice.

O Presidente norte-americano acusou ainda Leão XIV de ser “fraco em relação às armas nucleares”, poucos dias após o Papa ter classificado como “verdadeiramente inaceitável” a ameaça de destruição da civilização iraniana.

Num discurso no Domingo de Ramos, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa afirmou que Deus rejeita as orações de líderes que iniciam guerras e têm as “mãos cheias de sangue”, descrevendo o conflito no Irão como “atroz”.

Leão XIV apelou também a Trump para que encontre uma “saída” que permita pôr fim ao conflito e “diminuir a violência”.

Na mesma publicação, Trump sugeriu que o Papa terá sido eleito em 2025 por ser norte-americano, considerando que essa escolha seria “a melhor forma de lidar” com a sua presidência.

Recorde-se que Trump já tinha dirigido críticas ao Vaticano no passado, tendo chamado “vergonhoso” ao Papa Francisco no início de 2016.

O Papa Leão XIV já se encontra na capital da Argélia para uma viagem apostólica de dez dias em África. É a primeira vez que um Papa visita oficialmente a Argélia, um país de esmagadora maioria muçulmana, onde há pouco mais de seis mil católicos numa população de 48 milhões de pessoas.

  • Fonte: Rádio Renascença
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