Fungos únicos no planeta estão a desaparecer. Estudo liderado pela Universidade de Coimbra alerta para perdas irreversíveis

Fungos únicos no planeta estão a desaparecer. Estudo liderado pela Universidade de Coimbra alerta para perdas irreversíveis

  • 13/04/2026 07:55
  • Redação

Um estudo internacional liderado pela Universidade de Coimbra alerta para o risco de desaparecimento de fungos únicos no planeta, sublinhando que algumas destas espécies representam linhagens evolutivas isoladas que podem perder-se para sempre.

A investigação, desenvolvida pelo Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia, em colaboração com a União Internacional para a Conservação da Natureza, identificou espécies sem parentes próximos na árvore da vida, cuja extinção significaria o desaparecimento de ramos inteiros da história evolutiva.

Publicado na revista científica Conservation Letters, o estudo analisou 94 espécies de fungos pertencentes a géneros monotípicos e revela um cenário preocupante: nove estão ameaçadas ou próximas disso, enquanto a maioria permanece sem dados suficientes para avaliação.

Para Susana Cunha, líder do estudo, citada em comunicado, o maior sinal de alerta está precisamente na falta de conhecimento. “A deficiência de dados reflete graves lacunas no conhecimento sobre estes organismos”, explica, acrescentando que “em muitos casos, as espécies são conhecidas apenas pela sua descrição original […] sem qualquer registo desde então”, o que significa que “podemos estar a perder espécies únicas sem sequer termos consciência disso”.

Apesar do papel essencial dos fungos nos ecossistemas — nomeadamente na decomposição da matéria orgânica e na regulação dos ciclos de nutrientes — estes organismos continuam afastados das prioridades globais de conservação. Os investigadores alertam que ainda não existe uma lista que identifique as espécies de fungos mais distintas e ameaçadas , uma lacuna que consideram urgente colmatar.

O estudo aponta também para o impacto de anos de subinvestimento na investigação micológica, que tem limitado o conhecimento sobre a distribuição e diversidade destas espécies, dificultando a sua proteção.

Para inverter esta tendência, a equipa defende mais investimento em investigação de base, o recurso a ferramentas como o DNA ambiental e o envolvimento da sociedade.

A coautora Susana Gonçalves destaca o papel da participação pública, explicando que “espécies com poucos registos ou registos antigos são candidatas ideais para projetos participativos” e que “o envolvimento dos cidadãos pode ser decisivo para colmatar lacunas de informação e apoiar a conservação” .

Os investigadores recomendam ainda que estas espécies sejam alvo de análises moleculares para confirmar a sua singularidade e que, sempre que tal se verifique, passem a ser consideradas prioritárias nas políticas de conservação. Sem uma ação concertada, alertam, o mundo arrisca-se a perder uma parte insubstituível do seu património natural — muitas vezes antes mesmo de a conhecer .

  • Fonte: Rádio Renascença
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