Governo contrata plataforma para vigiar redes sociais, mas recusa estar a "monitorizar" jornalistas
- 13/04/2026 07:23
- Redação
O Governo contratou uma empresa irlandesa para a "aquisição de uma plataforma digital avançada de análise preditiva", que permite monitorizar várias redes sociais e meios de comunicação e criar listas de jornalistas com maior repercussão e influência, com recurso a inteligência artificial.
Em comunicado às redações, a Secretaria-Geral do Governo recusou as acusações desta ser uma ferramenta contratada para "catalogar ou monitorizar" jornalistas, referindo que é um "tipo de clipping moderno que cumpre todos os requisitos legais" e que os gabinetes governamentais não têm acesso à mesma.
A entidade refere também que entre as suas competências está o apoio às decisões políticas e o acompanhamento da ação governativa, para os quais é necessário "pesquisa e verificação de dados estatísticos e a análise do impacto junto da sociedade portuguesa das diferentes medidas adotadas".
O Governo adianta ainda que a empresa presta serviços a governo de outros países, como França e Reino Unido, e a entidades como a ONU ou a Comissão Europeia ou órgãos de comunicação como a BBC, Washington Post e New York Times.
No entanto, no comunicado, a Secretaria-Geral do Governo não esclarece que produtos foram contratados à NewsWhip, entre os quais existe, efetivamente, um ranking que permite "monitorizar os jornalistas certos" e identificar as "vozes mais influentes numa crise".