"Abre portas". Helena Costa sobre Marie-Louise Eta, primeira mulher a treinar uma equipa masculina das Big-5
- 13/04/2026 06:35
- Redação
O Union, da Bundesliga, despediu Steffen Baumgart e anunciou Eta, que até agora treinava os sub-19 e já tem acordo para assumir a equipa feminina na próxima época, até ao final da temporada. O objetivo é assegurar a manutenção, numa altura em que a equipa está sete pontos acima da linha de água e só venceu dois jogos, de 14, em 2026.
Em declarações a Bola Branca, Helena Costa manifesta a crença de que a experiência de Marie-Louise Eta no Union "tem tudo para ter um seguimento completamente diferente" da sua, mas deixa um aviso.
"Sobretudo, não pode ser só uma coisa de ter o impacto de uma jogada de marketing. Tem de ser sempre algo muito mais expansivo, e verificar sempre a Marie-Louise como treinadora e não como uma jogada de marketing. Penso que neste caso é exatamente isso que acontece, e sendo assim, é muito importante", realça a diretora desportiva do Estoril Praia.
Outro ponto positivo a favor de Eta é o facto de não ser a primeira vez que vai para o banco da equipa principal masculina do Union. Em 2023/24, foi adjunta da equipa do português Diogo Leite, antes de ter passado para os sub-19, o que mostra, no entender de Helena Costa, que "há um respeito mútuo, quer dela para com o clube, quer do clube para com ela".
Helena Costa acredita que o telemóvel de Marie-Louise "não parou de tocar com toda a certeza, e não vai parar nos próximos sete, oito dias".
Além da experiência no Clermont Foot, Helena Costa tem a particularidade de ter integrado o departamento de scouting do Eintracht Frankfurt, o que a deixou com boa imagem do povo alemão e da Bundesliga.
Também por isso, estaria bem posicionada para aconselhar Marie-Louise Eta. Em primeiro lugar, vem o que diria "a qualquer outra pessoa, em qualquer outro contexto": "Acreditar em si própria, sempre."
"Não é por ser homem ou mulher, tem de ser competente. E acho que ela está mais do que preparada para não se deixar afetar com o ruído. A Bundesliga, e também posso dizê-lo de viva voz e com toda a experiência, é uma liga extraordinária para abrir mentalidades e para impactar, e sendo uma das 'Big-5', é histórico e muito importante. Agora, é esperar que ela tenha sucesso, porque, se assim for, vai abrir portas", declara.
De qualquer modo, Helena Costa acredita que, no Union, acreditam verdadeiramente em Eta e respeitam-na, e que a técnica "é uma pessoa que sabe estar, e que tem sido julgada pela sua competência".
"Isso dá-lhe ferramentas para saber lidar com tudo. Filtrar o que é importante, o que não é importante, e seguir em frente", observa.
Marie-Louse Eta assumiu o cargo na equipa masculina quando já está "prometida" para a feminina, na próxima época. É precisamente do futebol feminino que a alemã, de 34 anos, vem, tendo alinhado em clubes como Turbine Potsdam, um histórico, Hamburgo e Werder Bremen.
Sobre a possibilidade de isto poder, para o futuro, abrir portas a um maior fluxo entre equipas femininas e masculinas, Helena Costa faz um prognóstico bastante mais reservado: "Não creio, com toda a honestidade."
"Não acho que vá acontecer isso de haver um fluxo entre equipas femininas e masculinas. Acho que já nem vou ser viva quando isso acontecer, e se algum dia acontecer", acrescenta, com uma gargalhada.
A história já está feita, de qualquer forma, e Marie-Louise Eta tem estreia agendada, à frente da equipa masculina do Union de Berlim, e na Bundesliga, para o próximo domingo, diante do Wolfsburgo, em casa.