Alta dos combustíveis. “Vai demorar muito tempo a normalizar"
- 14/04/2026 05:50
- Redação
“Quando desce é bom, mas a sensação que eu tenho é que é descer do Monte Everest por K2”, afirmou, recorrendo a uma metáfora para descrever a oscilação dos preços. “Nós andamos ali entre o Monte Everest e o K2, sobe e desce, mas é só ali.”
Segundo o economista, apesar de existirem momentos de alívio, estes tendem a ser temporários. “Podemos sentir, de vez em quando, um alíviozinho na pressão do preço do combustível nas bombas de gasolina, mas depois a seguir sobe outra vez, quase para os níveis anteriores”, diz.
João Duque atribui grande parte desta instabilidade ao contexto geopolítico e às declarações de líderes internacionais, nomeadamente de Donald Trump. “O senhor Trump ameaça, depois dá esperança, depois volta a tirar aquilo que deu”, referiu, sublinhando que “o mercado vive de expectativas e da possibilidade de que essas expectativas se venham a confirmar em realidades.”
O impacto dos preços dos combustíveis vai além do bolso dos consumidores. “Já está a ter reflexo, por exemplo, na confirmação do indicador de inflação, porque o maior componente foram os combustíveis.” E alertou para um efeito em cadeia: “Depois vem uma segunda leva, que é quando os preços de outros bens começam a incorporar os custos dos transportes.”
Neste contexto, também as empresas do setor energético estão a registar resultados significativos. “Vimos agora que a Galp Energia teve um aumento muito significativo na sua margem de refinação”, destaca.
Sobre uma eventual estabilização, mesmo com sinais de negociações internacionais, o economista é cauteloso. “Vai levar tempo até que se esclareça completamente qual é o efeito”, explicou, referindo-se à importância de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz.
Até que haja clareza total sobre os impactos e a reposição do fluxo normal de petróleo, João Duque antecipa mais volatilidade. “Eu também não estou à espera, para ser muito sincero, que os preços desçam assim à velocidade a que subiram.”
A conclusão é pouco animadora: “Vamos ter que, muito provavelmente, contar com um ano inflacionista pior do que aquilo que era a previsão inicial.”