"Futebol muito, muito físico". Há três anos na Letónia, Gonçalo Alves alerta o que Portugal terá pela frente
- 14/04/2026 07:45
- Redação
"Até ao apito final, elas vão dar tudo." O treinador Gonçalo Alves será um dos portugueses que melhor conhece a seleção que Portugal vai defrontar, esta terça-feira, na terceira jornada da primeira fase de apuramento para o Mundial feminino 2027.
Gonçalo está no país desde 2024 a orientar o Metta e conhece a maior parte das jogadoras do plantel da Letónia por ter orientado diretamente algumas jogadores, ou defrontado as restantes.
A Bola Branca, faz o raio-x de uma seleção muito física e que dará o máximo para vencer a equipa portuguesa: ""Não olham muito para o resultado, até ao apito final elas vão dar tudo. São jogadoras muito competitivas, muito combativas, com muita agressividade. Aqui joga-se um futebol muito agressivo, com muito duelo. Portugal terá de ter alguns cuidados, porque é um futebol muito, muito físico."
"A última linha de cinco, uma linha de quatro e uma avançada bastante poderosa, a procurar o jogo físico. É a [Karlina] Miksone, a maior estrela daqui. Mas pelo que tenho acompanhado, acho que Portugal vai saber encontrar os espaços certos para derrotar a Letónia", prevê.
Em Portugal, treinou a equipa feminina do Estoril Praia, depois de dez anos no futebol masculino com passagens pelo Oriental e na formação do Estoril, Porto Salvo e Sintrense.
O treinador de 40 anos escolhe algumas individualidades, sendo que a maioria do onze inicial mais utilizado pela Letónia alinha fora do seu campeonato nacional, mas prefere apontar para o coletivo forte do adversário português.
"A Sanja [Vuskane], que já foi minha jogadora. A [Diana] Suvitra. São tudo jogadoras muito rápidas. Temos a Signija [Senberga], que também já foi minha jogadora, a Olga [Sevcova]. Mas eu destaco mais o coletivo, porque trabalham em conjunto, porque sabem o que é estar muito tempo sem bola, e estão confortáveis com isso, e depois vão tentar explorar ligações com a referência de saída, neste caso a avançada ou extremas, e depois projetam-se muito rápido duas, três, quatro jogadoras para esse momento", elogia.
Gonçalo Alves atribui o favoritismo a Portugal, mas qual pode ser a chave para desbloquear o jogo? "Tem de ter paciência. É muito importante temporizar, acelerar no tempo certo, no espaço certo. Podem acelerar pelo meio ou por fora."
"Portugal pode fazer uns contramovimentos dentro e fora, para baralhar a última linha. Depois, ter uma estrutura fixa para prevenir as transições, ou seja, quando Portugal perde a bola, estar preparado para esse momento é fundamental. E manter a bola o máximo possível. E depois, atacar com toda a qualidade que nós temos", acrescente.
Gonçalo "gosta muito" de estar no Metta. Garante que se identifica com "os valores do clube" e se "sente realizado".
"Eu vim à procura de uma nova experiência, de adquirir uma forma de ver o mundo diferente. Aqui na Letónia, têm uma cultura de muito trabalho. O trabalho compensa e eles sabem valorizar quem trabalha, e isso é fundamental. Em relação ao futuro, não sei. O treinador de futebol tem sempre uma mala pronta, mas neste momento vejo-me a ficar aqui mais dois anos", conclui.
A Letónia, última classificada do grupo B3, ainda sem qualquer ponto somado, recebe Portugal, líder com seis pontos, a partir das 18h00 desta terça-feira.
A seleção nacional fará ainda mais um jogo nesta pausa internacional, às 15h00 do próximo sábado, no terreno da Eslováquia.