Não há dossiers fechados na Igreja”, garante novo presidente da CEP
- 14/04/2026 11:33
- Redação
O bispo de Coimbra, que era até agora vice-presidente da CEP, elogia o trabalho feito nos últimos 6 anos por D. José Ornelas. “Fez um trabalho que considero muito meritório, porque procurou desenvolver esta harmonia dentro dos bispos e dentro da Igreja em Portugal, porque procurou desenvolver alguns dos dossiês que foram importantes e que continuam a ser muito importantes, com respeito à evangelização, à coesão, à liturgia, à questão dos abusos sexuais na Igreja e da proteção de menores. Há um conjunto de dossiês que são do nosso tempo, as questões fraturantes dentro da sociedade portuguesa, a análise das questões da sociedade atual, como são as guerras, e nós queremos, com certeza, levar por diante a mesma missão da Igreja”, assegurou
Uma promessa de continuidade, mas sem fechar a porta a novos objetivos e caminhos, porque “na Igreja não há dossiês fechados, nem que se possam fechar, e alguns deles têm a permanência da continuidade, do aprofundamento, de um trabalho que se tem de continuar a fazer. Não há dossiês a encerrar, antes pelo contrário, é tentar, inclusive, aprofundar e definir alguns objetivos e alguns caminhos a procurar. Mas, estamos cá exatamente todos unidos para isso”, assegura.
D. Virgílio promete uma Igreja atenta ao mundo, sem esquecer nunca o Evangelho, como lembrou o Papa, na recente reação aos insultos de Donald Trump. “Não pode haver uma Conferência Episcopal nem uma Igreja, em Portugal ou no mundo, que esteja alheia às questões fundamentais que se passam dentro da própria Igreja e dentro da sociedade. Temos visto, inclusivamente, o testemunho que nos tem vindo a dar o Papa Leão XIV, ainda com pouco tempo, mas que já nos deu um testemunho de uma presença, de uma necessidade de declarações, de um conhecimento da realidade, (…) uma voz carregada da energia que vem do Evangelho e não é outro objetivo nem é outra agenda se não procurar que o Evangelho esteja presente, e que seja o Evangelho a conduzir aquilo que são as nossas declarações, a nossa vida, os nossos objetivos. É isso que, com toda a certeza, vamos procurar fazer”, assegura.
O novo presidente da CEP confia que os novos bispos nomeados nos últimos anos, e que agora têm assento na CEP, ajudarão a Igreja em Portugal a renovar-se. “Vê-se aqui uma nova energia e vê-se, inclusivamente, aquilo que é fruto da evolução dentro da própria Igreja. Perspetivas que podem, com certeza, vir a ajudar, em alguns casos, a sedimentar perspetivas que vêm de trás, noutros casos, a introduzir esse fator novidade, e nós estamos todos desejosos de dar lugar a esse fator novidade na vida da sociedade e na própria vida da Igreja, portanto, estaremos todos atentos e abertos”.
Garante, ainda, que “a Conferência Episcopal vai continuar determinada a levar por diante aquilo que são os seus objetivos, mas de uma forma atenta, livre e, naturalmente, abertos à colaboração de todos, a ouvir as perspetivas de todos, umas vezes mais favoráveis, outras vezes menos. Abertos, com certeza, ao trabalho da comunicação social, que tem tanta relevância dentro das sociedades modernas, e entusiasmar os nossos cristãos católicos a levarem por diante este projeto da Igreja, que é de todos os tempos e que nos deve empenhar também hoje de uma forma muito dinâmica, muito ativa e muito confiante”.
D. Virgílio Antunes era até aqui vice-presidente da Conferência Episcopal. Sucede a D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima que esteve seis anos (dois mandatos) à frente da CEP.
Falta, ainda, eleger o Secretário, os presidentes das várias Comissões Episcopais (algumas vão ser desdobradas), e os delegados que representam a Conferência Episcopal junto de outros organismos internacionais da Igreja.