PJ detém mais um empresário na operação Cinderela
- 14/04/2026 13:41
- Redação
Um empresário foi hoje detido no âmbito da operação Cinderela, elevando para 11 as detenções neste inquérito, que investiga um alegado esquema criminoso usado em processos de insolvência que permitiu beneficiar os insolventes em prejuízo dos reais credores.
Em comunicado, a PJ refere que este empresário, com 56 anos e de nacionalidade estrangeira, “interveio no esquema criminoso, dissipando ilegitimamente o património de empresas em processo de insolvência”.
“O mesmo encontra-se, assim, indiciado pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção, burla qualificada, insolvência dolosa, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, que terão sido praticados, pelo menos, entre 2023 e 2025”, acrescenta a Polícia Judiciária.
O detido vai ser presente ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto para primeiro interrogatório judicial e eventual aplicação de medidas de coação.
No âmbito da operação Cinderela tinham já sido detidas, em março deste ano, 10 pessoas, com idades entre os 44 e os 77 anos, entre as quais três ex-administradores de insolvência, um advogado e seis empresários e comerciantes.
Foram também realizadas 18 buscas domiciliárias e não domiciliárias, que visaram residências, empresas e escritórios de advogados, tendo sido apreendidos documentos, material informático, quantias monetárias, objetos de luxo e viaturas de gama alta relacionados com a prática dos crimes em investigação.
No comunicado divulgado a 3 de março, a PJ já dava conta das 10 detenções, sublinhando que os suspeitos estavam indiciados pelos mesmos crimes, alegadamente praticados entre 2023 e 2025.
“A investigação incide sobre a atuação organizada e concertada dos detidos (...) num esquema criminoso que permitiu beneficiar os insolventes e viabilizar a apropriação de património em prejuízo dos reais credores”, detalhou a PJ.
Fonte judicial disse nesse dia à agência Lusa que esta investigação é autónoma daquela que levou à detenção do advogado Paulo Topa, em dezembro de 2025, por suspeitas de corrupção num esquema de desvio de fundos em processos de insolvência e recuperação de empresas.
Paulo Topa encontra-se em prisão preventiva ao abrigo desse processo, que tem ligações com esta investigação.
Segundo a investigação, através de pessoas singulares e ou coletivas da sua confiança, que se apresentavam com créditos fictícios e documentação forjada, os envolvidos garantiam o imediato reconhecimento de credores sem a devida comprovação da dívida.
“Estes créditos fictícios (...) asseguravam a aprovação dos planos de recuperação, permitindo aos devedores tirar proveito dos seus efeitos”, referia ainda o comunicado da PJ.