Borges quer levar o seu Peugeot à glória em Londres. "Futebol dá oportunidades a quem acredita"

Borges quer levar o seu Peugeot à glória em Londres. "Futebol dá oportunidades a quem acredita"

  • 14/04/2026 15:41
  • Redação

Rui Borges espera que o Sporting, que equipara a um Peugeot, seja mais inteligente nos caminhos que toma e consiga chegar à meta, ou seja, as meias-finais da Liga dos Campeões, antes do Mercedes do Arsenal.

Os leões perderam na primeira mão dos quartos de final, em Alvalade, por 1-0. Em conferência de imprensa, esta terça-feira, de antevisão do jogo da segunda mão, marcado para Londres, Borges salienta que "tanto o futebol como a vida dão sempre uma oportunidade a quem acredita muito".

"O valor do plantel do Arsenal é muito maior que o do Sporting, mas nem sempre o carro mais rápido ou da melhor marca ganha ao da marca menos forte, porque andam ambos a 200 [quilómetros] à hora. Depende depois dos caminhos. O Mercedes pode parar na bomba e nós não paramos; seguimos e chegamos nós à frente", afirma Rui Borges.

É preciso mais fome ainda? "A equipa tem de ser igual a si própria e ao que tem sido até aqui, independentemente do adversário e da competição. Não preciso de falar em fome porque esta equipa demonstra-o todos os dias. Amanhã temos de ser uma equipa igual ao que temos sido, desfrutar do jogo, com a responsabilidade inerente, atrás de algo inédito para o clube, para nós enquanto equipa. Agora, estamos cientes das dificuldades de defrontar um grande Arsenal e fazer o que ainda ninguém fez na Champions, que é ganha a esta equipa. Sabemos bem das dificuldades que teremos pela frente, agora, acreditamos muito e a confiança é infinita na personalidade e no caráter de cada jogador desta equipa."

Mikel Arteta disse que se sente em chamas, como é que Rui Borges se sente? "Sou muito frio no meu pensamento. Estou calmo. A chama e a ambição temos todos muita e por isso aqui estamos, nas oito melhores equipas da Champions, onde ninguém se calhar acreditava que o Sporting estaria. Se calhar, só nós mesmos acreditávamos."

Prioridade agora à Champions? "São duas grandes equipas amanhã em campo. É uma semana importante, cada vez mais se vão encurtando a época e os jogos são cada vez mais decisivos. Mas estamos inseridos na disputa de todos os troféus e isso identifica claramente o que é o Sporting: é estar nas competições a disputá-las até ao fim, a querer ganhá-las, e isso é que define um grande Sporting. É estarmos a lutar por campeonato, pela Taça e pela passagem às meias-finais da Liga dos Campeões. Independentemente do que se passar amanhã, não apaga nada do que tem sido a grande época desta equipa e destes jogadores."

Vem aí um jogo com o Benfica para o campeonato: "Estamos a disputar o acesso a uma meia-final, o jogo mais importante é amanhã. Vamos disputá-lo com tudo, com ambição e coragem enormes, apenas e só a pensar neste jogo e a tentar ganhá-lo. É muito isso que todos nós queremos, que eles querem. Têm esse desejo de continuar a marcar a história do clube, continuar a marcar a história deles individualmente também, por isso o nosso foco amanhã é apenas e só no Arsenal."

Mensagem durante a semana: "A minha mensagem é muito clara, simples e se é semana em que eu não preciso de falar muito é esta, porque são grandes jogos e eles vão estar super motivados. Eles estão preocupados em saber qual é o onze, porque querem todos jogar e desfrutar. É uma semana muito simples para o meu discurso, eles sabem o que é representar o Sporting, a pressão diária e a responsabilidade. Não preciso de os fazer ver isso, eles sabem. Preciso, sim, de os manter ligados à minha exigência e à ideia da equipa, descansá-los e mantê-los o mais frescos possível. Nem digo uma vez, eles sabem o que vão disputar amanhã. Olho para os olhos deles e sinto a vontade de disputar o jogo e de acreditar muito na passagem à meia-final. Tanto o futebol como a vida dão sempre uma oportunidade a quem acredita muito, e se há equipa que acredita muito é esta."

Arsenal pressionado na Premier League: "Não tem a ver com ajuda nenhuma, estamos a falar de uma grande equipa, com grandes jogadores. É natural que uma grande equipa não ganhe sempre, mas acho que isso até os motiva mais e vai levá-los ainda mais, numa fase inicial do jogo, super ligados, com uma intensidade bastante elevada e uma exigência bastante elevada, individual e coletivamente, para conseguir chegar às meias-finais da Liga dos Campeões. Não é um ou dois jogos menos bem conseguidos que definem aquilo que tem sido a época deles e a grande equipa que são."

Ausência de Iván Fresneda: "Tem sido um jogador importante, tem feito uma grande época. Não sei quando estará a 100%, por questões físicas optámos por deixá-lo em Lisboa, porque não estava nas plenas condições de dar o seu contributo à equipa. E o jogo de amanhã exige toda a gente a 100%."

Seis baixas no treino do Arsenal: "Em termos de ideia, não dificulta. Agora, estamos a falar de uma equipa que em certas posições tem três grandes jogadores. Claro que muda, porque os jogadores têm características diferentes, e muda um ou outro comportamento em termos estratégicos, mas não muda a nossa ideia de jogo em nada. Temos de conseguir anular. Agora, claro que uma grande equipa, com tantos jogadores de enorme qualidade, de características diferentes, muda pequenos comportamentos."

A que se agarra nestes momentos? "Agarramo-nos uns aos outros. Eu agarro-me ao que me trouxe até aqui: o meu trabalho. Acreditámos muito e a vida deu-nos essa oportunidade, enquanto equipa técnica, e agarrámo-la. Por isso é que eu digo que se há equipa que acredita, que é ambiciosa, que é comprometida e que acredita mesmo que é capaz de ultrapassar, é esta. Se estamos aqui a disputar uma meia-final, sendo certo que estamos a perder por 1-0... Acredito que se não fosse, teríamos levado três. Aí, a probabilidade seria 0,000001%. As coisas acontecem sempre por algum motivo. Daí eu ser muito positivo. E é um bocadinho o que tem sido esta equipa. Quando somos postos à prova, é sinal de que temos qualidade para ultrapassar esse desafio. E amanhã é mais um. Jogamos com uma grande equipa, que ainda não perdeu na Champions e nos últimos 20 jogos em casa tem duas derrotas. Nós sabemos dessas dificuldades, mas se estamos aqui com alguma esperança é porque temos essa capacidade e, num dia em que acreditamos muito, pode acontecer. Mas se não acontecer, não muda nada, nem é isso que vai identificar esta equipa, face a tudo do que tem sido capaz até aqui."

Jogo mais importante da carreira de Rui Borges e da história do Sporting? "Não, na minha carreira é mais um jogo importante. São todos muito importantes e cada um tem a sua história. É certo que estamos numa competição que toda a gente sonha disputar, e marcará a carreira de todos nós, e em primeiro lugar a história do Sporting. É isso que nós queremos, porque esta equipa merece esse reconhecimento, ao nível das grandes lendas do Sporting. Estou a dizer isto com toda a sinceridade, é o que eu sinto. E não é em relação ao treinador, é em relação aos jogadores. É um grande grupo de trabalho e tem demonstrado isso ao longo de toda a época. É acreditar."

O que o faz acreditar tanto, perante um Arsenal de maior valor individual? "O valor é subjetivo. Um Mercedes anda a 200, o Peugeot também. É a mesma coisa e o valor do Mercedes é o dobro. É o que é. É conhecer atalhos a estradas e saber desviarmo-nos e chegar à frente."

Declan Rice e Martin Odegaard possivelmente de fora, isso faz respirar de alívio face à capacidade de ambos nas bolas paradas? "É uma equipa que tem três grandes jogadores para algumas posições. Não é dois, é três. É uma grande equipa nas bolas paradas, mas já não faz golos nas bolas paradas já há alguns jogos. Criou esse rótulo na fase inicial da época, e merece-o, é a equipa da Europa com mais golos marcados de bola parada. Não é que seja uma elaboração extraordinária, mas tem jogadores nas batidas que em dez batem dez na zona que o treinador pede, e tem seis ou sete armários, jogadores atleticamente muito fortes nos duelos. Isso torna-os muito fortes, por isso independentemente dos jogadores que estiverem em campo é uma equipa fortíssima nesse momento de jogo. Nós também temos sido fortíssimos nesse momento de jogo, nas bolas paradas defensivas e ofensivas. Estou muito confiante na capacidade da nossa equipa."

Georgios Vagiannidis vs. Eduardo Quaresma vs. Salvador Blopa para a lateral-direita: "São três jogadores diferentes. O Vagiannidis é um lateral de raiz, ofensivo. O Edu não é um lateral de raiz, mas é bastante competente. E o Blopa dá-nos velocidade, intensidade e competitividade. São três jogadores em que o Sporting e todos podem jogar."

Jogo do Sporting parece um apêndice para a imprensa inglesa, na antecâmara de um Manchester City-Arsenal: "Isso é problema deles, nós estamos focados no Arsenal e no jogo. Que nos deixem aqui sossegados, não é problema. Isso passa-nos ao lado. A exigência do City-Arsenal é grande, nós também vamos ter à frente um jogo de exigência grande, agora, nós estamos focados no Arsenal. É esse que queremos disputar e ganhar, sabemos de todas as dificuldades que teremos, mas queremos disputar até ao final. Queremos dar uma boa resposta e fazer um grande jogo."

  • Fonte: Rádio Renascença
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