“Surpresa desagradável”. Duas escolas de Lisboa trocam de agrupamento na nova carta educativa
- 15/04/2026 01:00
- Redação
A Associação de Pais da Escola EB 1 Rainha Santa Isabel, em Lisboa, está contra a mudança de agrupamento prevista na nova carta educativa de Lisboa.
O documento já foi aprovado pela Câmara Municipal e apenas falta ser aprovado pela Assembleia Municipal de Lisboa, até ao momento sem data marcada para quando vai acontecer.
Segundo o documento, esta escola, atualmente no Agrupamento Padre Bartolomeu de Gusmão, transitará para o Agrupamento de Escolas Manuel da Maia e a Escola Básica Fernanda de Castro, atualmente no Agrupamento de Escolas Manuel da Maia, passará a integrar o Agrupamento Padre Bartolomeu de Gusmão.
As mudanças apanharam de surpresa a comunidade educativa, garante Mafalda Ambrósio, presidente da Associação de Pais.
“Foi uma surpresa desagradável e foi uma surpresa para a comunidade escolar. O agrupamento não sabia, a coordenadora da escola não sabia, as auxiliares não sabiam, ninguém sabia”, descreve a encarregada de educação.
Mafalda Ambrósio mostra-se preocupada com o impacto da mudança e não compreende o motivo para esta decisão.
“Através da leitura da carta educativa não encontramos qualquer fundamento, nem qualquer estudo de impacto, até à data nunca encontrámos nenhuma justificação para esta alteração”, contesta.
Segundo a presidente da Associação de Pais, a mudança vai trazer instabilidade e gorar expectativas.
“Nós, quando inscrevemos os nossos filhos no agrupamento, sabemos qual é a sequências das escolas, que a seguir iriam para a Josefa de Óbidos, onde muitos têm lá os irmãos”, descreve, classificando este estabelecimento de ensino como a “referência dos alunos”.
“Eles visitam a escola Josefa de Óbidos, as festas são na Josefa de Óbidos”, exemplifica.
Do lado do Agrupamento de Escolas Manuel da Maia, as mudanças são bem-vindas. Luís Mocho garante que, com as mudanças, será possível tirar melhor partido dos recursos existentes.
“Potencialmente vamos poder ganhar alunos, uma vez que nós estávamos subdimensionados, tínhamos espaço para ter mais alunos, tínhamos organização e recursos para ter mais turmas e não as tínhamos”, explica o diretor Luis Mocho.
Mocho refere que, ao que sabe, “as mudanças são apenas de edifício”, pois têm “recursos suficientes para poder ocupar a nova escola“. Assim, vão manter a filosofia pedagógica, mas noutro edifício.
Quanto à escola Fernanda de Castro que, segundo a nova carta educativa, passará para o Agrupamento Padre Bartolomeu de Gusmão, está, neste momento, encerrada para obras. Os alunos dessa escola – um grupo de pré-escolar e duas turmas de primeiro ciclo – foram relocalizados na Escola de Santo Condestável.