Reforma laboral: Montenegro insiste em acordo com sindicatos, mas admite que a proposta pode avançar sem ele
- 15/04/2026 10:17
- Redação
O primeiro-ministro assegura que o Governo não aumentou nenhum imposto durante o seu mandato. A afirmação foi feita, esta terça-feira, no debate quinzenal, no Parlamento, onde está a responder às perguntas da oposição.
A Iniciativa Liberal começou o debate a criticar a carga fiscal. Mariana Leitão, presidente da IL, diz que queria fazer um "polígrafo" e argumentou que o Estado arrecada mais impostos quando vivemos crises energéticas como a que atravessamos.
"Gastamos mais de 100 euros para encher o depósito, quem é que consegue viver assim?", questionou.
Mariana Leitão criticou a subida da receita com o IMI, que qualificou como o "imposto mais estúpido de sempre".
"O Estado vai arrecadar mais impostos. Se o Governo não subiu nenhum imposto e o país não cresceu, de onde vem o dinheiro?", perguntou ao primeiro-ministro.
Em resposta, Luís Montenegro disse que também queria "poligrafar" e perguntou à líder da Iniciativa Liberal que imposto subiu em 2025. Depois da resposta, o primeiro-ministro afirmou que Mariana Leitão não foi capaz de nomear nenhum.
"Não tem nenhuma resposta que não seja esta: nenhuma taxa subiu. Pelo contrário, desceram várias", esgrimiu o chefe do Governo.
Montenegro deu o exemplo dos descontos no ISP (imposto sobre petrolíferos) para contrariar a subida a pique dos preços da energia, provocada pelo início da guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irão.
Não satisfeita, Mariana Leitão retorquiu: "Não foram as taxas que subiram, foi o peso do Estado sobre a vida dos portugueses", afirmou, argumentando que o esforço dos portugueses está a "engordar" o Estado.
Mariana Leitão terminou a intervenção a perguntar pelas negociações da reforma laboral, que voltaram a falhar na última semana, mas que persistem na concertação social.
"Já fizeram mais de cinquenta reuniões com os sindicatos, acho muito difícil que venha a haver acordo. Vai ter coragem para apresentar a proposta ao Parlamento?"
Na resposta, o primeiro-ministro repete que este é um "governo de concertação" e de "convergência". Montenegro garante: "Vamos concluir o processo", mas assegura que vai acabar por trazer a proposta ao Parlamento.
"Se assim não for, o Governo não deixará de apresentar uma proposta de lei", avisou o primeiro-ministro.
Na vez do PSD, Hugo Soares saiu em defesa do Governo e elencou várias medidas implementadas pela AD.
"Com o PS tinhamos impsotos máximos, serviços mínimos. Consigo temos impostos a baixar e serviços públicos a melhorar", defendeu o líder da bancada do PSD.
Na resposta, Luís Montenegro afirma que os deputados do PS são hoje "muito menos efusivos" a defender a governação de José Sócrates do que são agora.
André Ventura aproveitou a sua intervenção para evidenciar a diferença de preços dos combustíveis em Espanha e Portugal. O deputado e líder do Chega mostrou uma imagem com os preços em Elvas e Badajoz, para demonstrar que no país vizinho os preços são muito mais baixos.
Ventura também afirmou que Portugal é o país onde os preços do cabaz alimentar é mais caro relativamente aos rendimentos, e criticou aquilo a que chamou a "propaganda" do Governo.
Na resposta, Montenegro argumentou que Portugal - em termos relativos - está a ir mais longe nos apoios para contrariar a crise energética do que Itália. Sobre o caso espanhol, o primeiro-ministro recomendou que debata esse tema com Santiago Abascal, líder do Vox, partido de direita radical em Espanha.