CCB blinda-se contra eventos que violem “valores democráticos”

CCB blinda-se contra eventos que violem “valores democráticos”

  • 15/04/2026 13:05
  • Redação

Um ano e cinco meses depois de ter sido nomeado pelo Governo como presidente do conselho de administração do Centro Cultural de Belém (CCB), Nuno Vassallo e Silva apresentou, esta quarta-feira, o plano estratégico da instituição para os próximos quatro anos.

Numa conferência à imprensa especializada, a equipa que lidera o CCB explicou que está apostada em aumentar a receita própria, procurar mais mecenas e conquistar novos públicos.

O presidente do conselho de administração elencou os valores que o CCB defende nomeadamente a “tolerância, liberdade, valores democráticos e europeus”. “O plano estratégico consagra-os e qualquer atividade que seja comercial tem que respeitar os valores democráticos do CCB”, sublinhou.

Nas palavras do sucessor de Elísio Summavielle, qualquer “entidade” que queira alugar um espaço do CCB “tem de assinar um contrato” onde estão espelhadas as condições e onde surgem “os valores democráticos que o CCB defende”

Na apresentação, Rita Romão vogal da administração e responsável pela área financeira afirmou que “a economia que circula pelas salas dos Centros de Congressos, não pode ser negligenciada, muito pelo contrário, ela deve abrir caminho para novos modelos de filantropia”.

Numa altura em que o CCB procura novos mecenas e vai criar uma equipa própria para “captação de fundos”, Rita Romão acrescentou que vão também “olhar para tudo o que sejam candidaturas a concursos internacionais”.

A ideia é, disse a responsável, ter “menor grau de dependência” do financiamento público que em 2024 esteve nos mais de 10 milhões de euros. “O Centro Cultural de Belém quer ser mais forte artisticamente, mais aberto socialmente, também mais capaz financeiramente sem se afastar da sua missão pública”, referiu Rita Romão

No plano estratégico desenhado pela administração de Vassallo e Silva há também uma aposta em chegar a “públicos novos”. Rui Morais, outro dos vogais da administração explicou que o “plano defende que o CCB tem de ser mais atrativo para as gerações mais jovens”.

Além de trabalharem com a Fábrica das Artes e com os vários centros educativos, a equipa administrativa estabelece como objetivo também chegar a “públicos oriundos de diferentes culturas e linguagens”, acrescentou Rui Morais.

Um dos pontos apresentado no plano para os próximos quatro anos passa pela afirmação do CCB numa “curadoria territorial” no eixo Belém-Tejo e que pretende alargar a área de influência do CCB, criando o que a administração designou como “Campus Centro Cultural de Belém”.

Em marcha está já a construção dos novos edifícios, os Módulos 4 e 5 que contemplam novas áreas comerciais, de serviços e dois hotéis. Esses equipamentos vão também alavancar a receita financeira do CCB, indicou a administração.

Mas as obras correm o risco de atrasar. O contrato assinado em julho de 2025 com o Grupo Alves Ribeiro prevê que a empreitada esteja concluída em julho de 2029, contudo, Vassallo e Silva referiu esta quarta-feira, outra data.

“Os trabalhos já estão na fase de escavações”, explicou o presidente do CCB que confirmou que foram encontrados “achados arqueológicos”. Em causa vestígios que Vassallo e Silva indicou que já se sabiam que ali estavam e que são do antigo Palácio Marialva, conhecido como a Quinta Real da Praia que terá pertencido a D. Manuel de Portugal, filho do primeiro conde de Vimioso.

“Fizemos uma apresentação na Presidência da Câmara Municipal de Lisboa e estamos muito articulados também com o Património [Cultural, IP] e, de facto, esperamos que entre 2029 e 2030 esteja concluída” a obra, rematou.

Cerca de uma centena de pessoas já comprou o CABE - Contemporary Art Belém, um bilhete conjunto que permite a visita ao Museu de Arte Contemporânea do CCB, ao MAAT - Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia e ao Pavilhão Julião Sarmento.

Esse dado foi avançado por Rita Romão na conferência desta quarta-feira. A responsável do CCB explicou que este bilhete está em funcionamento desde o último verão e que “muito brevemente vai ser estendido ao MACAM”, o Museu de Arte Contemporânea Armando Martins.

Ao comprar este bilhete conjunto o visitante tem 20% de desconto e 90 dias para visitar os espaços incluídos.

  • Fonte: Rádio Renascença
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