Crise energética: Iva zero não é solução

  • 16/04/2026 05:52
  • Redação

Num contexto de forte pressão económica provocado pela guerra e pela subida dos preços da energia, o Governo deverá apresentar, esta quinta-feira, um novo pacote de medidas para mitigar o impacto junto das famílias e das empresas. Ainda assim, continua a rejeitar a aplicação de IVA zero nos bens essenciais — uma posição que tem gerado debate.

Segundo o economista, a redução do IVA traduz-se num impacto imediato, mas superficial. Trata-se, explica, do chamado efeito ANOVA: “um efeito que se sente no momento, mas que depois não cura propriamente o problema”.

Na prática, admite que os preços podem até descer ligeiramente no curto prazo. “Significa que baixa mesmo o preço […] já se verificou no passado”, diz. Ainda assim, sublinha que esse alívio é passageiro e não resolve a raiz da inflação.

“O problema essencial não está nas nossas mãos”, afirma, apontando diretamente ao custo da energia. “A subida de preço do combustível não está nas nossas mãos”, insiste.

Essa dependência externa faz com que qualquer nova subida dos combustíveis acabe por anular rapidamente os efeitos do IVA zero. “Se o preço dos combustíveis disparar […] os preços sobem na mesma”, alerta.

Mesmo reconhecendo algum impacto estatístico — visível, por exemplo, na inflação mensal — João Duque relativiza a importância da medida: “Há um efeitozinho relativamente pequeno […] mas […] não é propriamente a resolução do problema”.

Quanto ao pacote de medidas que o Governo deverá apresentar, o economista antecipa uma estratégia mais focada. “Querem dirigir apoios às pessoas que tenham mais dificuldades”, refere, apontando também para setores mais dependentes de energia.

Apesar das críticas recorrentes sobre o foco nos apoios empresariais, admite que poderá haver também medidas direcionadas às famílias. “Pode haver aumentos de transferências para as famílias mais carenciadas”, diz, embora ressalve que o Executivo evita medidas universais.

Com o custo de vida a pressionar os orçamentos familiares, as atenções centram-se agora nas medidas concretas que o Executivo irá anunciar.

  • Fonte: Rádio Renascença
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