Formalizada extinção da Fundação Júlio Pomar

Formalizada extinção da Fundação Júlio Pomar

  • 16/04/2026 06:59
  • Redação

A extinção da Fundação Júlio Pomar foi formalizada esta quinta-feira, com a publicação em Diário da República do despacho do Governo sobre o assunto.

Em dezembro do ano passado, o presidente da fundação, Alexandre Pomar, disse à Lusa que tinha sido entregue todo o património daquela entidade ao Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, esperando pela extinção da fundação ainda em 2025.

Contactado na altura pela agência Lusa, Alexandre Pomar, filho de Júlio Pomar (1926-2018), indicou que o processo de encerramento, iniciado em 2023, estaria "prestes a ser formalizado pela tutela", aguardando apenas a confirmação da Secretaria-Geral da Presidência do Concelho de Ministros.

"Da parte da Fundação Júlio Pomar está tudo encerrado. Todo o espólio foi entregue ao Atelier-Museu, e também foi oficializada a transferência de propriedade" para a Câmara Municipal de Lisboa, referiu o responsável pela obra do pai, um dos artistas de referência da História da Arte portuguesa do século XX e início do século XXI.

A Fundação Júlio Pomar foi criada em 2004 para acolher doações da obra do artista, o que veio a acontecer em vários momentos, nomadamente em 2014, quando ainda em vida o autor doou à fundação com o seu nome cerca de 300 obras, incluindo pinturas, esculturas, desenhos e gravuras. .

Nesse conjunto encontravam-se, entre outras obras, os óleos "Mulheres na Lota", de 1951, "Ponte de D. Luiz", de 1962, "Estudo em vermelho", de 1964, em acrílico e pastel sobre tela, "Mariza", de 2011, e "Fernando Pessoa e Alfredo Marceneiro", do mesmo ano.

Desde a decisão do encerramento da fundação em 2023, como a Lusa então noticiou -- ligada à aposentação de Alexandre Pomar "e também aos reduzidos rendimentos anuais que não davam para ter uma administração profissionalizada ou ter funcionários" --, que o espólio foi sendo transferido para o Atelier-Museu onde já se encontrava muito do acervo, recordou o responsável à Lusa.

Inaugurado em 2013 no centro histórico de Lisboa, o Atelier-Museu Júlio Pomar, dirigido pela curadora Sara Antónia Matos, foi criado pela Câmara Municipal de Lisboa sob gestão da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural -- Lisboa Cultura para exibir, divulgar e estudar a obra do artista, composta por pintura, escultura, cerâmica e colagens.

Ao longo de mais de uma década, o museu tem vindo a receber entre oito mil a dez mil visitantes por ano, e tem realizado exposições fora de Lisboa, nomeadamente no Porto, Foz Côa, Anadia, Arraiolos, Viana do Castelo, Loures e Torres Vedras.

O imóvel onde está instalado o museu, um antigo armazém do século XVII, próximo da Igreja de Nossa Senhora de Jesus, foi adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa em 2000 com o objetivo de o recuperar para ali instalar o espaço dedicado ao estudo e divulgação da obra do artista.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: