Descobertas no Alentejo aranhas desconhecidas — uma pertence ao grupo que inspirou o Homem-Aranha

Descobertas no Alentejo aranhas desconhecidas — uma pertence ao grupo que inspirou o Homem-Aranha

  • 16/04/2026 09:28
  • Redação

Uma aranha do género que inspirou o Homem-Aranha está entre seis novas espécies descobertas no Alentejo, revelou esta quinta-feira a Universidade de Lisboa.

Em comunicado, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) refere que, embora as aranhas descobertas na zona de Grândola, "até hoje desconhecidas para o mundo científico", ainda não tenham sido batizadas, "os especialistas já conseguem indicar os géneros em que se incluem estas espécies".

E uma das encontradas na Herdade da Ribeira Abaixo é do género "Scytodes", tendo "o traço distintivo de cuspir teia com veneno para aprisionar as presas", sendo do grupo da "aranha que serviu de inspiração para a história do Homem-Aranha", o super-herói da Marvel Comics criado por Stan Lee e Steve Ditko em 1962.

Das restantes, "duas das espécies pertencem ao género 'Dysdera' (que inclui as aranhas-de-tenaz que se alimentam de bichos-de-conta); outras duas pertencem ao género 'Harpactea' (mais pequenas, escuras e elegantes que as do género Dysdera)" e "há uma espécie classificada dentro do género 'Pelecopsis' (são típicas caçadoras furtivas)", adianta o comunicado.

As aranhas foram descobertas por uma equipa liderada por Pedro Cardoso, investigador da Ciências ULisboa e do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C), que entre 2024 e 2025 realizou trabalho de campo na estação da referida herdade, ligada à faculdade.

De acordo com o comunicado, a estação possui "uma enorme riqueza de fauna e flora" e "os locais de amostragem estão equipados com sensores para medição de temperatura e humidade do solo e ainda armadilhas que permitem a captura de animais de diferentes espécies para estudo científico".

Agora, em laboratório, Pedro Cardoso trabalha com Miguel Sousa, investigador do CE3C e aluno de Mestrado em Biologia da Conservação, no processo de descrição científica das espécies descobertas.

"Vai exigir tempo para medições pormenorizadas, desenhos científicos e comparações com outras espécies ou artigos da especialidade", explica Pedro Cardoso, citado no comunicado, sublinhando tratar-se de "um trabalho minucioso e ao microscópio".

Os investigadores já registaram algumas diferenças entre as aranhas agora descobertas — com tamanhos entre dois ou três milímetros e um máximo de 10 a 15 milímetros — relacionadas com "a disposição dos olhos, as fieiras (...) ou as características das pernas".

"Quando comecei a analisar cada uma das seis espécies de aranhas não conseguia encontrar nada parecido na literatura taxonómica (...), percebi que estava perante espécies novas", revela Miguel Sousa.

Segundo os cientistas, a Serra de Grândola "poderá ter funcionado (...) como uma ilha isolada", levando determinadas espécies a evoluírem de forma distinta, o que torna o local "particularmente único para a investigação científica".

  • Fonte: Rádio Renascença
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