Encerramento do Matadouro do Cachão é “machadada absurda” na economia transmontana
- 16/04/2026 11:22
- Redação
O Sintab — Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal — lamenta profundamente a sentença de insolvência do Matadouro Industrial do Cachão, situado em Frechas, no concelho de Mirandela.
Esta decisão representa “o culminar de um longo processo de má gestão”, marcado por opções de endividamento que “nunca se traduziram na melhoria das condições de trabalho, nem no reforço da capacidade produtiva da unidade”. Trata-se de um percurso que foi sendo sucessivamente validado pelas autarquias de Mirandela e Vila Flor.
O aspeto mais grave desta decisão reside, como sublinha o sindicato, “no impacto direto sobre os trabalhadores”. Estamos perante a destruição de mais de 20 postos de trabalho, numa região já marcada por baixos níveis de empregabilidade, “empurrando trabalhadores e famílias para uma situação de incerteza, sofrimento e carência económica”.
Importa ainda denunciar que “os trabalhadores apenas tiveram conhecimento da situação após a afixação do edital do tribunal”, evidenciando “um total desrespeito” por quem assegura diariamente o funcionamento da unidade.
A gravidade desta decisão agrava-se quando se constata que “ignora completamente a realidade e as necessidades da região do Nordeste Transmontano”. Atualmente, não existe qualquer infraestrutura com capacidade equivalente de abate em funcionamento.
Assim, estamos perante uma decisão que pode ser entendida apenas “numa lógica estritamente contabilística”, mas que “falha redondamente na resposta às necessidades da região”. Prova disso é que “o próprio complexo continua a laborar em pleno, mesmo após a declaração de insolvência”, evidenciando a sua importância estratégica.
O Sintab defende que “o verdadeiro interesse dos trabalhadores, da população e da economia transmontana” passa pela criação de condições que garantam a continuidade desta unidade. A produção pecuária, em particular a bovinicultura, constitui “um dos principais pilares de subsistência da região e não pode ser abandonada”.
O eventual encerramento do Matadouro Industrial do Cachão representará “uma machadada absurda num dos principais pilares da economia agroindustrial de Trás-os-Montes”, agravando ainda mais as dificuldades existentes.
O sindicato reafirma, por fim, que “tudo fará para defender os interesses dos trabalhadores e lutar pela manutenção desta unidade”, considerando-a fundamental para a sobrevivência económica e social da região.