O “puzzle” de Seguro rumo ao Conselho de Estado. Da Presidência Aberta à indicação de conselheiros

O “puzzle” de Seguro rumo ao Conselho de Estado. Da Presidência Aberta à indicação de conselheiros

  • 17/04/2026 01:15
  • Redação

Após ter tomado posse como Presidente da República e ao longo de mais de um mês, António José Seguro foi juntando as peças do puzzle para chegar à reunião do Conselho do Estado desta sexta-feira, dedicado aos temas da Segurança e da Defesa e que acontece uma semana depois de uma intensa Presidência Aberta pela região centro do país.

Os moldes desta primeira reunião do Conselho de Estado têm como base a Segurança e a Defesa, não apenas na dimensão da criminalidade e do seu combate, mas a proteção das populações, depois de um inverno marcado por um comboio de tempestades.

Com as peças todas juntas, Seguro vai para a reunião do Conselho de Estado com o puzzle completo e com uma visão de conjunto sobre o pesadelo que aconteceu na região centro e o pesadelo que o verão pode trazer, com a camada de resíduos e madeira que, entretanto, se acumulou nas matas e florestas das regiões afetadas pela tempestade Kristin.

"Não pode ficar tudo na mesma. Não pode continuar tudo na mesma", afirmou há precisamente uma semana nas declarações que fez aos jornalistas presentes na Marinha Grande, avisando ainda: “A minha vigilância em relação aos apoios e à necessidade do país, em participar do Estado, de tirar daqui ilações também vai continuar”.

Ao mesmo tempo, Seguro deverá insistir que sejam tiradas ilações sobre o que correu mal após a tempestade. Nesse balanço que fez da Presidência Aberta, o Presidente da República exigiu um relatório que explique o que se passou na resposta às populações.

“Não podemos continuar a passar o tempo sem que tenhamos um documento que explique também o que se passou nestes dias finais de janeiro e também nos dias iniciais de fevereiro. É impossível tirar ilações se não soubermos corretamente o que correu bem, o que correu mal, quais foram os apoios e os meios que chegaram mais tarde”, declarou.

O primeiro-ministro, que, em Tomar, considerou “positivo” o roteiro de Seguro pela região centro, estará presente na reunião do Conselho de Estado. Luís Montenegro ainda não se pronunciou sobre a necessidade de produzir este relatório, mas esta quinta-feira, após a reunião do Conselho de Ministros, António Leitão Amaro, formalmente o número dois do Governo, indiciou uma primeira resposta.

“Que o Sr. Presidente da República entenda que esse acompanhamento se faça nas reuniões institucionais, com visitas ao terreno, com pedidos de relatório, com auscultação, é um exercício próprio, normal, saudável, que nós respeitamos totalmente”, começou por dizer o ministro da Presidência.

“Nós vamos dando conta dos resultados das medidas que adotarmos e, portanto, da parte do Governo vão contando sempre com toda a transparência sobre a execução das medidas que nós adotamos”, garantiu o ministro, sem, contudo, garantir a produção de um relatório sobre o que aconteceu nas horas e nos dias a seguir à tempestade, referindo que já existem documentos produzidos por agências do Estado e que sustentam as medidas que o Governo tem aprovado.

“Há relatórios, por assim dizer, se quiserem a palavra sagrada, relatórios preparados, por exemplo, que sustentaram a medida dos 76 milhões de euros de investimento na orla costeira. Foi preparado um relatório pela APA, que identificou tudo o que aconteceu e o que é que tem que ser melhorado e, portanto, nós estamos focados em responder o mais rápido possível, ser transparente com os resultados sobre essa resposta e preparar o futuro”

Em relação à “avaliação da resposta em situação de crise, além de toda a discussão que aconteça no plano parlamentar e etc, nós estamos desde o primeiro dia a fazer essa reflexão”, garantiu Leitão Amaro, que atira novas respostas para o desenho do anunciado PT RR.

“Os instrumentos de reforço da resiliência e da resposta e da preparação do país para o futuro, que estamos a preparar, como sabem, no quadro da preparação do PTRR, a aprendizagem dessas lições está a ser feita e está a ser utilizada para o planeamento para o futuro”, explicou Leitão Amaro

No fundo, para o Governo, a resposta à calamidade é o melhor relatório e o melhor exercício de “autoavaliação e avaliação do país e avaliação dos instrumentos” de apoio pós-crise. Resta saber se para o Presidente da República este argumento chega.

  • Fonte: Rádio Renascença
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