A Europa pode ficar sem combustível para aviões em seis semanas?
- 17/04/2026 03:18
- Redação
Se a guerra no Médio Oriente não terminar rapidamente, pode faltar o combustível para os aviões. Quem o diz é o diretor da Agência Internacional de Energia, que admite que a crise pode chegar aos aeroportos europeus.
Não é uma inevitabilidade, mas pode acontecer em alguns aeroportos, caso o abastecimento não seja normalizado. De acordo com o diretor-executivo da Agência de Energia, a Europa terá, provavelmente, seis semanas de combustível de aviação. Caso a guerra no Médio Oriente não termine em breve, pode mesmo haver falta de jet fuel, o combustível que é utilizado na aviação civil. E poderão surgir cancelamentos de voos.
As dificuldades na circulação de barcos no Estreito de Ormuz, que é um dos principais corredores do comércio energético. Em condições normais, um quinto do petróleo comercializado em todo o mundo passa por ali. Com a interrupção ou um condicionamento prolongado, há um efeito dominó no petróleo e nos produtos derivados, incluindo o combustível de aviação.
O jet fuel pode ser o primeiro a falhar, porque é um produto específico: depende de refinação, de logística e de armazenamento nos aeroportos. Mesmo que exista petróleo noutros mercados, é preciso consegui-lo, refiná-lo e entregá-lo a tempo e isso não se resolve de um dia para o outro.
Além disso, o combustível é um dos maiores custos das companhias aéreas. Representa cerca de um terço das despesas. E quaisquer tensões na oferta empurram os para cima e aumentam a competição pelos stocks disponíveis.
Está tudo muito dependente da normalização no Estreito de Ormuz, porque quanto mais tempo durar a crise, maior é o risco. Ainda por cima, tendo em conta que, quando falamos de mês e meio de reserva disponível, isso significa que, com a situação tal como está, pode deixar de haver combustível para os aviões em junho, que é uma altura do ano de maior procura — ou é a altura do ano em que começa a aumentar a procura de voos por causa das férias de verão.
Ou seja, isto significa que, mantendo-se um bloqueio, as reservas podem descer a níveis em que pode começar a faltar jet fuel em aeroportos e centros logísticos.
Pode ser necessário o racionamento de combustível, alterações na operação aeroportuária e, no limite, cancelamentos. Fala-se também da possibilidade de substituir pelo menos metade do combustível que é utilizado para evitar que os stocks caiam para níveis considerados críticos.
Significa conseguir arranjar combustível rapidamente, por outras rotas, ou noutras origens como os Estados Unidos, África, eventualmente mais produção europeia para assegurar pelo menos 50% do volume de combustível de aviação necessário para não pôr em causa a operação das companhias aéreas.