PRR: Palácio Nacional de Mafra com primeira grande requalificação

PRR: Palácio Nacional de Mafra com primeira grande requalificação

  • 17/04/2026 04:49
  • Redação

O Palácio Nacional de Mafra está a receber as primeiras grandes obras de conservação e restauro em 300 anos, financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que decorrem a bom ritmo com conclusão prevista para julho.

Por entre andaimes, ferramentas e cabos de obra, Hugo Moreira Luís, presidente da Câmara de Mafra, entidade responsável pela intervenção, afirmou que "as empreitadas que estão a decorrer [estão] alinhadas com o propósito de terminar todas as obras em julho", apesar de alguns atrasos provocados pelo mau tempo deste inverno.

A empreitada, no valor de 7,3 milhões de euros, abrangeu obras de conservação e restauro na biblioteca, basílica e envolvente do monumento, incluindo coberturas e fachadas.

"Foi uma oportunidade única de fazermos uma intervenção global na basílica, encerrada ao público há dois anos, que não há conhecimento que tenha sido feita", explicou a engenheira civil Albertina Rodrigues.

A responsável pelo acompanhamento da obra destacou que “a intervenção da basílica é essencialmente conservativa”, com o objetivo de valorizar os espaços e mitigar riscos, como queda de fragmentos, infiltrações e degradação das juntas.

Também foram realizados trabalhos de restauro das superfícies pétreas e de património integrado, essenciais para a preservação do edifício.

Recordando a construção no século XVIII por D. João V, a técnica de restauro Fátima de Llera explicou que o palácio foi erguido com pedra de vários tons, sem recurso a pintura.

“As superfícies estavam muito empoeiradas, cinzentas, não se distinguia o amarelo e o encarnado do lioz”, referiu, sublinhando que o restauro devolveu as cores originais ao monumento.

“Nunca houve uma obra de limpeza. E o timing era certo, não só pelo financiamento do PRR, mas também por questões de segurança”, acrescentou, alertando para o risco de queda de fósseis a cerca de 60 metros de altura, devido à degradação provocada pela água.

Segundo Ana Catarina Sousa, vice-presidente do Património Cultural, estas obras vão “preparar o monumento para a comemoração dos 300 anos da sagração da basílica, em 2030”.

Apesar da dimensão da intervenção, os técnicos admitem que nem todos os problemas ficarão resolvidos, sobretudo no que diz respeito às infiltrações.

“Em relação à basílica, as prioridades futuras serão o exterior: fachadas, cornijas, sistemas de drenagem e caixilharias”, indicou Albertina Rodrigues, apontando áreas ainda por intervir.

No âmbito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, assinalado no sábado, estão previstas visitas às obras da basílica (já esgotadas), bem como à biblioteca e um concerto de carrilhão.

A iniciativa “Entre na Obra”, lançada em 2025 pelo Património Cultural para monumentos intervencionados com fundos do PRR, registou cerca de 300 inscrições a nível nacional, incluindo casos como o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém.

Paralelamente, decorrem obras para a instalação do Museu Nacional da Música no palácio, também financiadas pelo PRR em sete milhões de euros.

O museu detém uma das mais importantes coleções europeias de instrumentos musicais, com cerca de mil peças dos séculos XVI ao XX, abrangendo tradição erudita e popular.

O Palácio Nacional de Mafra destaca-se pelo maior conjunto sineiro do mundo, com dois carrilhões e 119 sinos, além de seis órgãos históricos e uma biblioteca notável.

O monumento foi classificado como Património Mundial pela UNESCO em 2019, reforçando a sua relevância histórica, cultural e arquitetónica.

  • Fonte: Rádio Renascença
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