Papa pede aos cristãos sinais de justiça e paz numa terra oprimida entre rivalidades e corrupções
- 17/04/2026 06:48
- Redação
O potencial dos Camarões como país fértil e rico em matérias-primas foi valorizado, esta sexta-feira pelo Papa, lamentando, no entanto, que, “muitos experimentam a pobreza, tanto a material como a espiritual.”
Na homilia da missa que celebrou em Douala, a capital económica do país, Leão XIV pediu, em especial, aos jovens que não cedam à desconfiança e ao desânimo e rejeitem toda a forma de abuso e de violência, “que iludem prometendo ganhos fáceis, mas endurecem o coração e tornam-no insensível”.
O Papa sublinhou que o povo dos Camarões “é ainda mais rico do que esta terra, pois o seu tesouro são os seus valores: a fé, a família, a hospitalidade, o trabalho”.
Por isso, a aposta é confiada aos jovens: “Sede protagonistas do futuro, seguindo a vocação que Deus concede a cada um, sem vos deixardes comprar por tentações que desperdiçam as energias e não servem ao progresso da sociedade”, pediu.
”Sede vós, em primeiro lugar, os rostos e as mãos que levam ao próximo o pão da vida: alimento de sabedoria e de libertação de tudo aquilo que não nos nutre, mas que, pelo contrário, confunde os nossos bons desejos e nos rouba a dignidade.”
Por fim, o Santo Padre comparou o anúncio cristão à tarefa do agricultor, que usa o arado no campo, para que o que semeia na terra dê fruto. “O anúncio cristão muda a história, transformando as mentes e os corações”. Por isso, “anunciar Jesus Ressuscitado significa traçar sinais de justiça numa terra sofredora e oprimida, sinais de paz entre rivalidades e corrupções, sinais de fé que nos libertam da superstição”, frisou.
Sob um calor escaldante, (32 graus, sensação de 37, com 70% de humidade), 600 mil pessoas cantaram e dançaram ao som de batuques e xilofones típicos. Gente de todas as idades vestiram trajes inspirados, com tecidos e capulanas coloridas alusivas à visita do Papa, exibindo uma criatividade imbatível que só os africanos sabem produzir.